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24 de Novembro de 2014, 15h:18 - A | A

GERAL / CIRCUITO DAS CACHOEIRAS

Trabalhadores denunciam erros graves em projeto de revitalização da Salgadeira

“Quem fiscaliza e gerencia é a Secopa, então tem um problema de projeto, sim”, disse Pradela

ANA ADÉLIA JÁCOMO
DA REDAÇÃO



Cerca de 20 funcionários da construtora Farol Empreendimentos e Participações decidiram nesta segunda-feira (24) paralisar, por tempo indeterminado, as obras de revitalização do complexo da Salgadeira, na MT 251, (48,6 Km de Cuiabá) por conta de atrasos salariais.

A obra de readequação do espaço público custou aos contribuintes R$ 5 milhões, financiados pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), mas deve receber nos próximos dias um aditivo de R$ 2 milhões. A complementação orçamentária é necessária para sanar erros graves no projeto feito pela Secretaria da Copa (Secopa).

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O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Cuiabá e Municípios, Joaquim Santana, denunciou ao RepórterMT que os erros não permitem que a obra avance, com isso, o Estado não tem como liberar os pagamentos. A empresa teria decido que só pagaria os trabalhadores com recursos oriundos da própria obra.

“Essa obra é do Governo e os empresários estão com esse ideal de pagar os trabalhadores apenas com os recursos das obras, e, segundo eles, está complicado receber esses recursos por causa dos erros nos projetos. A empresa afirma que o projeto está todo errado, faltando muita coisa. Por exemplo, temos que ter seis vigas para estrutura do telhado, mas só consta uma no projeto”, disse Joaquim.

De acordo com ele, 60% da obra está concluída, e apesar dos erros no projeto a obra não ofereceria riscos à população. “Não oferece risco porque nem tem como fazer nada. não há menor possibilidade de construir”. Segundo ele, há dois meses os trabalhadores estão sem receber, o que representa cerca de R$ 80 mil.

O outro lado

O secretário estadual de Turismo, Jairo Pradela, afirmou que o Governo tem conhecimento das graves falhas no projeto e, por conta disso, R$ 2,5 milhões em aditivos estão sendo contratados. “Estamos com a medição em dias, mas quem fiscaliza e gerencia a obra é a Secopa, então tem um problema de projeto, sim. O projeto foi feito pela Secopa, ela que contratou, mas faremos um aditivo para readequação do projeto”.

Segundo Pradela, o Governo não tem nada a ver com as questões trabalhistas apresentadas pelos funcionários, mas admitiu que por conta dos problemas no projeto, a pasta fica impossibilitada de realizar pagamentos. “Chegando as medições, autorizando pela Secopa e pelo fiscal, a Secretaria de Turismo paga imediatamente”.

A obra

Em 15 de setembro de 2010, após o Ministério Público Estadual ingressar com uma ação civil pública, por conta de uma série de irregularidades ambientais, a Salgadeira foi interditada. Lixo e esgoto despejados a céu aberto, erosão do solo, ausência de licenciamento ambiental para os restaurantes que funcionavam no local, dentre outras, foram algumas das irregularidades enumeradas pelo órgão. 

A previsão inicial construir no local prédios, trilhas com acessibilidade, estacionamento e espaços de lazer. A cachoeira deveria ter sido reaberto ao público em 28 de fevereiro de 2014, mas o prazo apresentado pelo secretário é julho de 2015.

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