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Quarta-feira, 09 de Novembro de 2011, 08h:24 - A | A

DESCASO

Usuários de drogas são rejeitados pelos hospitais da rede pública

É preciso de cotas em hospitais para que tratem e aceitem esses usuários, diz psicóloga do Caps

MAYARA MICHELS

Os dependentes químicos têm sido recusados pelos hospitais da rede pública de Mato Grosso. Segundo informações da psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) – Álcool e Droga da Capital, Rita Cutiaro, os hospitais encaminham para o Adalto Botelho, que acaba não tento leitos para todos os pacientes. Este grave problema apontado por ela é a falta destes leitos para que os pacientes possam fazer a desintoxicação antes de começar a fazer o tratamento psicológico nos Caps.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES), são apenas cinco Centros de Atenção Psicossocial (Caps) – Álcool e Droga.  E outras 22 unidades destinadas aos pacientes com transtornos mentais. Nestes locais também são atendidos dependentes químicos e alcoólatras. Nas unidades são oferecidas atividades e acompanhamentos psicológicos.

“Não significa que interna uma pessoa 45 dias que vai resolver o problema. È preciso de cotas em hospitais para que tratem e aceitem esses usuários. Muitos possuem problemas de cirrose, fígado e necessitam de atendimento ambulatorial”, explicou a psicóloga.

Segundo a Coordenadora das Ações Programáticas de Saúde Mental, existe um projeto que deve ser realizado no próximo ano, que prevê a construção de um Caps 24h em Cuiabá. Contará com 12 leitos, além de um espaço com 80 vagas para internação. “Precisamos ter esses leitos, principalmente para os pacientes que estão no Caps. Eles participam das atividades, passam por acompanhamentos, às vezes tem a recaída, e o hospital não aceita o paciente para desintoxicar rapidamente, para que o mesmo volte ao tratamento. Ele acaba levando dias, em alguns casos nem voltam ao tratamento”, contou a coordenadora.

A facilidade de acesso, o baixo custo do álcool e das drogas estão atrelados ao número de usuários. De fato, isso acaba fazendo com que cada vez mais adolescentes e adultos entram para este mundo do vício.

DADOS

Em Mato Grosso as estatísticas apontam que, em primeiro lugar são os casos de dependência do álcool seguido da pasta base de cocaína. Na maioria dos casos, os usuários acabam utilizando os dois tipos de drogas. Em 2010 foram realizados 9.362 tratamentos para largar o vício em todo MT. Os atendimentos foram realizados em uma das unidades do Caps. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde. Neste ano, as estatísticas ainda não foram encerradas, mas a expectativa é que ultrapasse os números do ano passado.

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