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19 de Dezembro de 2013, 09h:27 - A | A

CIDADES / 50 MILHÕES DE TONELADAS

Infraestrutura ruim atrapalha escoamento de grãos em MT

O Estado de MT produz 1/3 da produção nacional de grãos, mas tem prejuízos na hora de escoar a safra

DA REDAÇÃO



O Jornal Nacional, da TV Globo, mostrou em sua edição dessa quarta-feira (18) uma situação contraditória na escoação de grãos produzidos em Mato Grosso. Por causa da demora do transporte feito por trens, os produtores acabam preferindo os caminhões, que ganham mais tempo para levar a carga. Mas economia de tempo é sinônimo de desperdício de dinheiro, já que as estradas federais estão cheias de buracos. E com isso, o preço do frete acaba sendo maior que do produto transportado. Leia a reportagem feita pelo repórter Marcos Losekann.

Gigantescas lavouras, em breve, vão gerar uma supersafra de grãos. Pelas contas dos produtores do norte de Mato Grosso, serão 50 milhões de toneladas de soja e milho colhidas a partir de fevereiro.

Só que a região que mais produz grãos no planeta sofre com a falta de infraestrutura de transportes. O único trem, que parte de Rondonópolis, a 500 quilômetros das principais lavouras, não consegue atender nem um quarto da demanda: duas mil carretas carregadas por dia.

São 1,6 mil quilômetros de ferrovia de Rondonópolis até Santos. Se fosse tudo normal, tranquilo, o trem levaria uma noite e um dia para chegar ao destino. Mas por causa dos problemas nos trilhos e nas locomotivas acaba demorando até 90 horas e depois gasta mais 45 horas, esperando o momento de descarregar. Quase seis dias. Apesar de todos os problemas nas estradas, os produtores acabam preferindo os caminhões na rodovia que passa ao lado. Ali gastam menos de um terço do tempo consumido pelo trem.

Economia de tempo, desperdício de dinheiro. A começar pelo desgaste dos caminhões. As crateras nas pistas levam os motoristas a reduzir a velocidade e a gastar muito mais combustível.

O Jornal Nacional embarcou em um desses caminhões que percorrem dois mil e cem quilômetros de Sinop, em Mato Grosso, até o litoral. Quarenta e oito horas de solavancos e perigos.

A precariedade da infraestrutura de transporte gera uma conta que não fecha. O frete pode custar mais caro do que o produto transportado. De caminhão, de Mato Grosso até o Porto de Santos, o transporte de uma saca de milho, por exemplo, custa R$ 18. O dobro do valor do próprio milho, que gira em torno de R$ 9 a saca. Um custo que torna ainda mais difícil para o Brasil competir no mercado internacional.

No fim do segundo dia de viagem, Santos finalmente surge atrás da Serra. O mapa do governo prevê um sistema ferroviário moderno com quase 10 mil quilômetros de trilhos e ramais que ligariam todas as regiões do Brasil a uma espinha dorsal: a ferrovia Norte-Sul. O problema é que só seis mil quilômetros estão prontos. Em três anos depois do primeiro anúncio de leilão do sistema, o projeto ainda não saiu do papel.

“Esse modelo que nós estamos apresentando de concessão de ferrovias, que é um modelo diferente, que países da Europa utilizam. Então é natural que demore um pouco mais de tempo, tenham mais dúvidas, mas nós temos muita certeza que esses investimentos vão mudar o cenário da logística brasileira”, declara a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Pelas contas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as ferrovias podem gerar uma economia de R$ 2 bilhões por ano só em combustível.

“Nós temos tudo aqui no país para fazer as coisas todas bem feitas, gente capaz, empresas, mas nós precisamos botar essa máquina para funcionar eficientemente. E aí vem algo que se chama burocracia, que a função é praticamente impedir que isso funcione numa velocidade, numa eficiência que nós todos gostaríamos e que trouxesse benefícios ao país”, analisa José de Freitas Mascarenhas, pres. Cons. Infraestrutura – CNI.

Enquanto os investimentos nas ferrovias não entram nos trilhos, o transporte vai devagar, quase parando.

Nesta semana, o Tribunal de Contas da União deu o primeiro aval aos estudos de viabilidade das privatizações de ferrovias. Mas antes de publicar o edital de licitação, o Governo Federal terá que rever algumas estimativas de gastos que foram consideradas exageradas pelo TCU. Não há data prevista para a publicação do edital.

SITUAÇÃO NAS RODOVIAS ESTADUAIS

Se a situação nas rodovias federais é grave, ela é pior nas estradas estaduais de Mato Grosso. Os deputados estaduais Ezequiel Fonseca (PP) e Airton Português (PSD) usaram a tribuna nessa quarta (18) para fazer duras críticas a pavimentação que está sendo feita em várias rodovias estaduais, por empresas que têm executado serviço de péssima qualidade.

Os deputados apontaram que não está havendo o menor controle sobre a recontratação de empresas que não demonstram responsabilidade na execução de obras, como é o caso de uma empresa que não conseguiu concluir a pavimentação de pouco mais de 800 metros em Tangará da Serra, mas foi contratada para asfaltar 38km entre Barra do Bugres e Porto Estrela.

Entre os pontos mais críticos ressaltados as MT’s 170 e 175, no oeste do Estado, ganharam destaque. A obra de pavimentação, que passa pelos municípios de Cáceres, Salto do Céu, Araputanga e Jauru, tem despertado a desaprovação da população da região, que pediu a intervenção da Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa.

Na tribuna, o deputado Airton Português, chegou a afirmar que a obra é um 'vexame'.

“De Araputanga pra Jauru, a empresa Terra Norte é um vexame. Tudo virou buraco. A empresa passou o serviço pra 2 ou 3. O asfalto que fizeram já é buraqueira. Foram quatro trechos, divididos em quatro empresas”, relatou.

O parlamentar apontou que além desse trecho, várias outras obras tem sido executadas por empresas que não demonstram responsabilidade com prazo e qualidade.

“Mil metros de asfalto já foram pagos ano passado. São empresas irresponsáveis que pegam esses trechos e não cumprem com a responsabilidade. É como a MT130. São trechos vergonhosos que estão acontecendo no Estado de Mato Grosso”, declarou.

Membro da Comissão de Infraestrutura Urbana e de Transporte, o deputado Ezequiel Fonseca, relatou que ainda este ano os parlamentares vão fazer uma visita técnica em duas MT’s, 177 e 175, acompanhados do CREA (Conselho Regional de Engenharia), para verificar ‘in loco’ o que está acontecendo.

O OUTRO LADO

Convocado para prestar esclarecimentos, pela Comissão de Infraestrutura, o diretor executivo da Terra Norte, Eraldo Títico, negou ao RepórterMT que tenha conhecimento de algum trecho com problemas e alegou que foi à Assembleia buscar o apoio dos deputados para receber os repasses atrasados da obra. O diretor relatou à reportagem que o trecho de 70km, entre Araputanga e Jauru, que começou em agosto de 2013, com o prazo de 360 para terminar, não será entregue a tempo, pois o projeto não estaria de acordo com a realidade da obra, e não admitiu qualquer falha.

“Dentro da nossa visão nós não estamos atrasados não, e a qualidade de serviço, eu não sou a pessoa indicada pra falar, né”, frisou.
A prefeita de Jauru, Enércia Monteiro (PT), acompanhava o diretor da construtora, mas preferiu não comentar o assunto.

A SOLUÇÃO

Para evitar outras obras em péssima qualidade, o deputado Ezequiel Fonseca sugeriu que as empresas vencedoras apresentem antes sua estrutura de maquinário, e que seja feito um cadastro de maus prestadores de serviço para que tais empresas não venham a vencer outras licitações.

“Tem empresa que começa as obras e para. Então precisa ser explicado qual o motivo? É falta de pagamento do Governo? É falta de infraestrutura da empresa? Essa empresa que presta o serviço que não é de qualidade, nós precisamos fazer um cadastro porque a hora que ela for pegar outro serviço, ela já estará negativada. Agora, ela sai de uma obra e entra em outra e as coisas só vão piorando”, ressaltou.

Para cobrar qualidade nas obras e responsabilidade das empresas, Ezequiel propõe que os membros da Comissão não visitem apenas as obras preparatórias para a Copa de 2014, mas que se desloquem constantemente para fiscalizar as obras nas estradas.

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Marcelo 19/12/2013

Não se preocupem, no ano que vem todos os problemas serão resolvidos. Se não resolver, também não precisam se preocupar, pois quando a Bahia estiver produzindo tanto quanto aqui, os nossos produtos deixarão se competitivos e não plantaremos mais nada.

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