Daffiny Delgado

José Wenceslau de Souza Júnior. Para a Federação, o varejo mato-grossense enfrentará uma das crises mais severas da história recente
ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
A isenção do imposto de importação federal para compras internacionais de até US$ 50 dólares, a polêmica "taxa das blusinhas", provocou reação do setor comercial em Mato Grosso. Em entrevista exclusiva ao
, o presidente da Fecomércio-MT, José Wenceslau de Souza Júnior, criticou hoje (14) o Governo Federal, classificando a medida como uma manobra eleitoral, que privilegia o mercado asiático em detrimento do empresário que gera emprego e renda no estado.
Para Wenceslau, a conta da isenção será paga com demissões no comércio de rua e nos shoppings. "O mercado consumidor está comprando em outro mercado e gerando emprego lá na China. É um absurdo um negócio desses. Eu tenho dito para os consumidores que uma hora isso vai bater na sua porta. É seu pai que vai chegar em casa desempregado porque as vendas caíram, é sua mãe, ou o jovem que está entrando no mercado de trabalho agora", disparou o presidente.
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O dirigente explica que o ICMS estadual de 17% é uma ferramenta "insuficiente" para equilibrar o jogo, já que o custo de manter uma loja aberta no Brasil envolve uma cascata de impostos e encargos sociais que os sites estrangeiros ignoram.
"Quando você soma a carga tributária estadual, federal e o custo do empresário (aluguel, luz, folha de pagamento, encargos sociais, IPTU), ela chega a 38%. Como vamos transferir nosso dinheiro para a China, do outro lado do mundo, enquanto o lojista aqui paga tudo isso?", questionou.
Além do impacto financeiro, Wenceslau aponta que o consumidor está sendo "enganado" por um preço baixo que esconde a falta de garantias e possíveis fraudes fiscais.
"Infelizmente é uma jogada eleitoral. O governo não está pensando no Brasil, no Mato Grosso e no próprio consumidor, que está sendo enganado achando que compra barato. É uma evasão de divisa muito grande."
Atualmente, a medida provisória do governo federal mantém o imposto de importação zerado, restando apenas a cobrança do ICMS estadual. Para a Federação, se não houver um equilíbrio urgente na taxação federal, o varejo mato-grossense enfrentará uma das crises mais severas da história recente, com o fechamento em massa de pequenos e médios negócios que não conseguem competir com o subsídio indireto dado às plataformas internacionais.
Entenda o que muda
As encomendas internacionais de até US$ 50 (aproximadamente R$ 250,42 na cotação atual) devem ficar mais baratas para o consumidor final após a extinção do imposto de importação de 20%. Com o fim da cobrança federal, plataformas como Shein, Shopee e AliExpress, que integram o programa Remessa Conforme da Receita Federal, já podem aplicar a redução nos valores.
A medida entrou em vigor nessa terça-feira (12) por meio de Medida Provisória. Apesar da isenção federal, o ICMS de 17% continua sendo aplicado normalmente sobre as operações. Para compras acima do teto de US$ 50, a taxação federal de 60% permanece inalterada, o que mantém a pressão das federações do comércio por uma revisão completa do sistema tributário para proteger o mercado interno.
























Cafe 14/05/2026
Nao mexedo na exportacao do cafe estou ne ai.
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