ANA ADÉLIA JÁCOMO / ANDRÉA HADDAD
Tentando manter a discrição, quando o assunto é eleição para o Governo do Estado, o senador Pedro Taques (PDT) não descartou a possibilidade de lançar seu nome como sucessor de Silval Barbosa (PMDB) no Palácio Paiaguás em 2014. Ele diz que acha natural ver seu nome ventilado nos bastidores como pretenso candidato.
Taques diz ainda estar preocupado com o andamento das obras da Copa do Mundo, realizadas na Capital. Segundo ele, o peemedebista e seu grupo político não têm investido de maneira correta na preparação da cidade para receber o mundial. Para o senador, setores nevrálgicos do estado estão sendo ignorados. "A Saúde é uma vergonha e a educação piorou", atacou.
Taques visitou a redação do RepórterMT e, numa entrevista exclusiva, o senador comentou as acusações veladas contra ele, quando o assunto são as polêmicas denúncias contra o VLT. Constantemente Taques é apontado nos bastidores como responsável por matérias veiculadas no Portal UOL. Ele classificou os críticos como “vagabundos" que não mostram a cara. “.
Sem papas na língua, o pedetista criticou a atuação da presidente Dilma Rousseff (PT). Para ele, os projetos têm demorado muito para sair do papel e pouco está sendo investido na industrialização do país. Taques defendeu a ideia de sua agremiação deixar o Ministério de Trabalho e Emprego, sob Brizola Neto, para assim, tornar-se independente. Ele também endossou o nome do senador Cristovam Buarque (PDT) para disputar a presidência da República.
Confira os pontos principais da entrevista com o senador:
RepórterMT – O PT e o PSDB já lançaram seus candidatos a Presidência. E o PDT?
Pedro Taques – Eu tive uma conversa com o presidente Carlos Lupi esta semana e teremos uma convenção em março e o PDT fará debates. O partido faz parte da base da presidente. Eu defendo que o partido saia do ministério e fique independente, isso sou eu, candidatura própria do PDT com o senador Cristovam.
RepórterMT – O senhor será candidato a governador? Como avalia os rumores?
Pedro Taques – Esses debates são importantes no próximo ano, porque do contrário antecipamos as eleições e iniciamos essas disputas eleitoreiras que não tem razão de ser. Mas é natural que um senador no meio do mandato tenha seu nome vinculado a essas possibilidades. Eu recebo com naturalidade, mas estou focado em terminar o meu mandato.
RepórterMT – Caso o senador Blairo Maggi concorra à vaga do Palácio Paiaguás, o senhor acredita que ficará em uma situação delicada?
Pedro Taques – Eu não trabalho com suposições nem com hipóteses. Nós trabalhos junto pelo Mauro Mendes, eu e ele apoiamos a candidatura. Se ele for candidato a governador eu fico contente, porque é importante que não haja W.O.
RepórterMT – Mas se o Blairo for candidato pelo PSB de Mendes?
Pedro Taques – Eu não sei. O que me consta é que ele vai ficar no PR. Não sei ele vai mudar de partido. Eu não quero colocar a minha colher de pau nesse angu. Acho que o Maggi tem que ser feliz partidariamente e não vou comentar para onde ele vai.
RepórterMT – A deputada Luciane Bezerra disse que sairia do PSB para apoiar o senhor numa possível candidatura para governador em 2014. Como foram esses diálogos?
Pedro Taques – Ela conversou comigo a respeito do desconforto de estarem no PSB por questões regionais de Juara. Eu faço gosto, mas não estou cooptando deputados para virem para o PDT. Ela manifestou essa vontade. Não tenho candidatura. É natural ela se lembrar do meu nome, mas estou pensando em 2013.
RepórterMT – Mas o senhor tem desejo de ser governador?
Pedro Taques – O meu objetivo ao sair do Ministério Público Federal era ajudar Mato Grosso. Eu amo esse Estado.
RepórterMT – Há especulações de que o senhor já estaria articulando entre o Marino Franz, ex-prefeito de Lucas do Rio Verde e Otaviano Pivetta, atual prefeito, para que um dos dois possa ser seu vice na disputa. Como avalia essas possibilidades?
Pedro Taques- Marino e Pivetta são dois grandes administradores, basta olhar para a cidade de Lucas. Pessoas como eles, tem que permanecer na política, ainda mais se administrarem o Estado tão bem quanto Lucas.
RepórterMT – E quanto à candidatura do juiz Julier?
Pedro Taques – Eu defendo a entrada dele na política, recomendo também o promotor de Justiça Domingos Sávio, os empresários, jornalistas e demais representantes da sociedade.
RepórterMT – O senhor, por ser ex-procurador, como se sente no Senado Federal? Estando misturado com “velhas raposas” da política?
Pedro Taques – Não é o ambiente que faz você. Não é a ocasião que faz o ladrão. A ocasião desperta o ladrão que existe dentro da pessoa e dentro de mim não tem um ladrão. Ali são 40 ex-deputados federais, 37 ex-governadores, dois ex-presidentes da República, eu e a Ana Amélia que nunca exercemos cargos eletivos. Para mim está tudo tranquilo. Não vou fazer o que os outros fazem. Estou mantendo a defesa dos meus princípios.
RepórterMT – Como avalia a administração da presidente Dilma Rousseff?
Pedro Taques – Estou vendo uma grande dificuldade de tirar projetos do papel. Veja o caso do PAC por exemplo. O índice de concretização é muito baixo. Dificuldades no aparelhamento da Petrobrás, que comprou uma refinaria nos Estados Unidos e o Tribunal de Contas da União recentemente editou um relatório dizendo que foi uma fraude a compra desta refinaria. Estou preocupado com a política econômica da União Federal, temos que pensar a desindustrialização do Brasil. Nós estamos importando empregos para a China, quanto à indústria nacional tem crescido muito pouco. Tenho essas preocupações. Temos que investir em infraestrutura para criar mais empregos, trabalhar na questão da energia, porque sem energia não há desenvolvimento. Veja Mato Grosso, por exemplo, em um determinado momento não vinha indústrias por falta de energia. Temos que investir muita na questão educacional, temos poucos engenheiros no Brasil e isso representa que nosso país pode estar prestes a sofrer um apagão de desenvolvimento, de industrialização.
SILVAL E COPA
RepórterMT – Falando em obras, o senhor está preocupado com o andamento das obras da Copa em Cuiabá?
Pedro Taques – Todo cidadão que vive aqui quer que esta Copa se realize. Eu ando por Cuiabá e fico preocupado com isso. Torço para que a Copa saia, não só a Arena, mas o legado. Teremos três ou quatro jogos, a Copa vai deixar legados que vão além da mobilidade urbana. Será que estamos qualificando as pessoas para atender melhor? Quantos estão sendo qualificados para falar inglês, espanhol...? A Copa vai nos vender no mercado internacional, precisamos de um Centro de Segurança que não vai mais ter, além e um Hospital de Clínicas, isso é legado e precisamos saber se isso está sendo feito. Para mim, Copa não se resume em mobilidade urbana. Eu quero ajudar, me coloca sempre a disposição. Estou preocupado com isso.
RepórterMT – Dizem que as obras da Copa seriam um trunfo para o governador Silva Barbosa, caso ele seja candidato ao Senado e a gente percebe que os municípios, principalmente as estradas, parecem estar abandonadas pelo Estado e tudo investido na Copa.
Pedro Taques – O Fethab, que é um Fundo de Habitação, 30% está sendo usado para a Copa. Foi usado R$ 700 milhões em dois anos e isso é contribuição do interior. Eu faço o meu trabalho sem pensar nas eleições. Eu não sei se o Silval está fazendo essas obras com vistas à eleição, mas espero que seja para ser um grande governador.
RepórterMT – Como avalia o mandato dele?
Pedro Taques – Eu respeito muito o governador, mas fui eleito por um campo político de oposição. Lá em Brasília, o meu partido é Mato Grosso, mas aqui sou oposição e ela precisa existir. A crítica é construtiva numa democracia. A Saúde do Estado é uma vergonha. Não repassa os 12% constitucional para os municípios, os hospitais regionais estão com problemas. A Educação piorou em muito nos últimos anos e isso mostra que não está se preparando para o futuro. A questão da Segurança: Mato Grosso tem 6.900 policiais, mil dos Bombeiros e dois mil Civis, mas segurança não é só polícia é valorização da função. Esses três tópicos que são obrigação do Estado eu tenho críticas políticas. Sem falar nas estradas.
POLÊMICAS DO VLT
RepórterMT – O senhor é constantemente citado nos bastidores da política como uma forte força contra o VLT, inclusive é acusado de supostamente patrocinar matérias no âmbito nacional. Pois bem, o ex-assessor do vice-governador Rowles Magalhães afirmou que havia um acordo milionário na licitação do modal e que o empresário Aldo Locatelli tem interesse em prejudicar o ex-secretário da extinta Agecopa Eder Moraes. Qual a leitura que o senhor faz de todo esse cenário?
Pedro Taques – Eu acho que as pessoas tem que colocar a cara na frente, porque quem esconde o que fala, para mim, é vagabundo. Eu, quando faço uma denúncia coloco minha cara na frente, mas apesar de não falarem meu nome claramente, não vou fugir do debate. Eu e o senador Maggi fomos mesmo contrários ao VLT. Nós preferíamos o BRT e o Jayme também, mas porque só falam do senador Taques? Esse é um ponto. Agora, o governador foi eleito para decidir e ele decidiu politicamente pelo VLT, de R$ 470 milhões para R$ 1.477 bilhão. Eu passei a defender e a apoiar o VLT, já que o Silval já tinha escolhido pelo modal. Isso não significa que eu vou abrir mão das minhas atribuições de fiscalizar. Essa atribuição ninguém tira de mim, é meu dever, fui eleito para isso. Começaram a sair denúncias no site UOL contra o VLT e alguns estão dizendo que sou eu que estou por trás. Imagina se eu tivesse esta força política. Algumas pessoas dizem que eu mando no Ministério Público e no Judiciário, se eu tivesse esta força eu já teria pedido para prender um monte de vagabundo né? Mas eu não tenho essa força.
RepórterMT – O senhor crê que essas denúncias do UOL terão consequências?
Pedro Taques – Eu espero que tenham. Esse Rowles não era meu assessor, mas sim do Governo do Estado. Quem tem que responder é o governador e o vice-governador. Eles é quem tem que responder, mas estão invertendo a situação. Estão vendendo o sofá porque foi praticado um crime em cima do sofá. A imprensa tem que publicar, sim. Quer dizer que se a imprensa, o UOL publicam uma denúncia a culpa é do jornalista que publicou? Ah, pelo amor de Deus. A imprensa livre tem que investigar, tem que saber quanto eu gasto, com o que eu gasto, o que eu estou fazendo. Se não tivéssemos a imprensa, os políticos fariam coisas piores. Quer dizer que se prende alguém, se solta alguém a culpa é minha?
RepórterMT – Quando o senado volta a apreciar o novo código penal?
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Pedro Taques – Eu fiz o pedido para criação de uma comissão especial de juristas. O presidente José Sarney colocou em votação e aprovaram. As lideranças indicaram os membros da comissão, trabalharam com 15 membros que após oito meses apresentaram um anteprojeto, que foi convertido em projeto de lei. Fui eleito relator. Ano passado recebemos muitas críticas e entendemos por bem suspender os prazos de apresentação das emendas porque era ano eleitoral. Demos inicio neste mês as audiências públicas e a primeira foi realizada ontem com o ex-ministro da justiça Miguel Reali Júnior. Daqui até julho iremos realizar mais audiências, duas por mês, uma em Brasília e outra nos estados. No próximo semestre será votado até final do ano e depois irá para a Câmara. Temos notado que os projetos que vão para a Câmara demoram muito, então por isso não posso prever quanto tempo vai demorar para ser votado.
OPERAÇÃO MONTE CARLO
RepórterMT – A operação Monte Carlos completou um ano e todos os acusados estão em liberdade. O senhor acredita que o Carlinhos Cachoeira pode voltar à prisão?
Pedro Taques – Sim. Ele foi condenado em Goiás, se não me engano a 22 anos de prisão. Vejo isso como uma vergonha para o país. O Tourinho Filho soltou todo mundo. O grupo dele não foi desmantelado, porque assim como na política, no crime organizado nunca há espaços vazios. Quem acha, encaixa.
RepórterMT – R$ 167 mil dos cofres públicos foram gastos nessa CPI do Cachoeira. O senhor acha que os resultados foram satisfatórios? Ao final, apenas duas laudas do relatório final foram apresentadas. O senhor acha que esses oito meses de investigação foram úteis?
Pedro Taques – Eu coloquei dois servidores meus só para trabalhar nessa CPI. Fiz um relatório paralelo e entreguei ao procurador geral da república. Fui contra esse relatório de duas páginas apresentada pelo deputado Luiz Pitiman (PMDB/DF). Agora, os valores gastos é normal. Teve que gastar para investigar.
DERROTA NO SENADO
RepórterMT – Após perder na disputa pela presidência do Senado, o senhor acredita que foi traído por alguns colegas?
Pedro Taques – Traído? Na noite anterior eu tinha 29 votos, pela nossa contagem do grupo que trabalhou comigo, mas na hora eu tive 18 votos. Eu perdi a eleição e soube perder. Mas se você me questiona se eu fui traído, eu te digo que eles traíram a consciência deles. Eu participei da eleição.
RepórterMT – A eleição do Renan Calheiros mostra que a política permanece com um nível baixo?
Pedro Taques – Ele foi eleito pelo povo. Temos que fazer a reflexão de que a eleição precisa representar mudança e a eleição dele representa o quadro da política nacional.
RepórterMT – O grupo anti-Renan que recolheu milhares de assinaturas não mostra que a mentalidade do brasileiro está mudando? Essas mesmas assinaturas tem força jurídica?
Pedro Taques – Acho que esse movimento popular é muito importante. Foi uma Ong Internacional chamada Avaaz que conseguiu reunir 1.700 milhão assinaturas. É interessante que fui a Rondolândia, interior de Mato Grosso, e ali 30 pessoas assinaram nesse site. Isso mostra que a sociedade está atenta a isso. Hoje, em razão da internet, poucas pessoas saem nas ruas para protestar. Nós estamos analisando o que fazer com isso, mas o Renan não vai deixar o cargo.
RepórterMT – O senhor sempre declarou ser contrário ao 14º e 15º salário. Agora, com a finalização desse benefício acredita que foi um passo importante?
Pedro Taques – Eu não sei os outros, mas eu paguei meu imposto do meu próprio bolso, cerca de R$ 18 mil e devolvi R$ 53 mil. Não aceitei. Isso eu fiz antes da aprovação. Parabenizo a Câmara pela aprovação deste projeto.
















Jeffersonn 04/03/2013
Concordo com o senador.. acho que este estado poderia estar bem melhor do que está e só não está pq aki, há muita coisa errada na coisa publica..
Arlindo 03/03/2013
Vai pra cima senador. Futuro governador de MT. Tem meu voto!
Máriano Ferraz 03/03/2013
Parabéns senador
Paulo Borges 03/03/2013
Ate qdo vamos aguentar velhas raposas dominando, senador? Estamos cansados dos calheiros, rivas e malufs da vida
Ana Cristina 03/03/2013
Parabéns senador pelo posicionamento, mas falta o senhor fazer algo mais efetivo para que os gatunos não continuem tomando conta da nossa política, principalmente na aasembleia. Vai fazer o que ???
ANA PAULA ROCHA 03/03/2013
TBM acho, td está uma vergonha neste estado. mas o senador está deixando de lado o verdadeiro motivo pelo qual se candidatou e foi eleito.. o de combater a corrupção na política
Wilson Soares 03/03/2013
está aí o próximo governador de MT. Aposto nisso e torço para isso, já estamos nas mão de gente sem o menor escrúpulo.
Adilson Levi 03/03/2013
Este é o meu senador, sem papas na lingua e sem rabo preso com ninguem.. Pra coma deles Taks.. Sucesso em BSB.. Tens meu voto de confiança.
8 comentários