DO REPÓRTERMT
A crise envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos em Brasília após a revista Veja revelar que Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira, teria citado um suposto repasse de US$ 30 milhões ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O valor equivale a aproximadamente R$ 155 milhões.
Segundo a publicação, a informação consta no material apresentado pela defesa de Vorcaro em uma nova tentativa de fechar acordo de colaboração premiada com investigadores. O suposto pagamento teria sido feito por meio de uma operação no exterior. A acusação, no entanto, ainda depende de comprovação.
Alcolumbre já negou a acusação. Em nota divulgada pela Presidência do Senado, ele afirmou que as informações são “absolutamente falsas” e disse que jamais recebeu valores de Vorcaro, “no Brasil ou no exterior”. O senador também afirmou que vai adotar medidas judiciais nas esferas cível e criminal contra os responsáveis pelas acusações.
A revelação aumentou a pressão política sobre o presidente do Congresso. Nesta sexta-feira (12), a própria Veja publicou que parlamentares passaram a cobrar com mais força a instalação de uma CPI ou CPMI para investigar o escândalo do Banco Master.
De acordo com a revista, Alcolumbre resistiu nos últimos meses a tirar do papel os pedidos de comissão parlamentar de inquérito sobre o caso. A publicação afirma que, mesmo após sessões conjuntas do Congresso, os requerimentos não foram lidos, o que impediu a instalação formal do colegiado.
O regimento comum do Congresso prevê que, após um pedido de CPMI reunir o número mínimo de assinaturas de deputados e senadores, o requerimento deve ser lido em sessão conjunta. Segundo a Veja, parlamentares já acionaram o Supremo Tribunal Federal para tentar destravar a criação da comissão.
Outro desdobramento veio do partido Novo, que decidiu acionar o STF para pedir a instalação imediata do Conselho de Ética do Senado. O colegiado não realizou reuniões em 2025 nem em 2026 e tem representações pendentes, incluindo uma contra Alcolumbre.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que a paralisação do Conselho de Ética impede a análise de denúncias e citou também a não instalação da CPMI do Banco Master. Para o partido, a situação compromete os mecanismos de responsabilização dentro do Senado.
Apesar da repercussão política, a situação jurídica da delação de Vorcaro ainda é incerta. A Polícia Federal formalizou a rejeição da segunda proposta de colaboração apresentada pelo ex-banqueiro. Mesmo assim, a Procuradoria-Geral da República ainda avalia os novos dados apresentados pela defesa.
A PF entendeu que o material apresentado por Vorcaro não trouxe fatos novos suficientes para ampliar as investigações. A defesa, por outro lado, tenta convencer a PGR de que as informações podem abrir novas frentes de apuração.
Além de Alcolumbre, Vorcaro também teria citado nomes ligados ao PT da Bahia e integrantes do Judiciário. A reportagem afirma que uma das frentes mencionadas envolve negócios relacionados ao CredCesta, programa de empréstimos consignados para servidores estaduais baianos.
O caso do Banco Master é tratado como um dos maiores escândalos financeiros recentes do país, o rombo investigado passa de R$ 50 bilhões e a rede de relações de Vorcaro alcançava autoridades de todos os poderes.
Enquanto tenta negociar a delação, Vorcaro segue preso em Brasília. O ex-banqueiro teria recebido supostas ameaças e deve permanecer sob proteção da Polícia Federal. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, pediu manifestação da PGR sobre um pedido da PF para que ele deixe a sala especial onde está preso.
Até o momento, as acusações atribuídas a Vorcaro não foram comprovadas. Alcolumbre nega qualquer recebimento de dinheiro e afirma que vai responsabilizar judicialmente o ex-banqueiro.
















