DO REPÓRTERMT
O padre italiano Nazareno Lanciotti, missionário que dedicou quase três décadas de sua vida à evangelização e ao trabalho social em Mato Grosso, foi beatificado neste sábado (13), em uma cerimônia realizada em Jauru, município onde atuou até ser assassinado em 2001. A celebração entrou para a história da Igreja Católica por ser a primeira cerimônia de beatificação realizada em território mato-grossense.
A celebração foi presidida pelo cardeal João Braz de Aviz, prefeito emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, representando o Papa Leão XIV.
O governador Otaviano Pivetta afirmou que a beatificação do padre Nazareno Lanciotti projeta Jauru e a região Oeste de Mato Grosso para o país, transformando o município em uma referência para o turismo religioso.
O evento reuniu milhares de fiéis, peregrinos e caravanas de diversas regiões do Brasil e da Itália. “Mato Grosso ganha com esse reconhecimento. A região ganha e Jauru passa a ter uma referência importante para o país. É uma alegria ver esse acontecimento histórico acontecer em Mato Grosso”, afirmou.
Segundo o governador, além do significado para a comunidade católica, a beatificação também contribui para ampliar a visibilidade da região Oeste.
“A região tem vocação para isso. É uma região muito bonita, cheia de belezas naturais, próxima ao Pantanal. Tem vocação para o turismo e, por que não, para o turismo religioso. Isso vai depender muito dos interesses locais e da dedicação da própria região, mas o Estado tem interesse em apoiar as iniciativas dos municípios e de todas as igrejas, de modo geral”, destacou.
Nascido em Roma, em 3 de março de 1940, Nazareno Lanciotti foi ordenado sacerdote em 1966 e chegou ao Brasil em 1971. No ano seguinte, estabeleceu-se em Jauru, na região de fronteira entre Brasil e Bolívia, onde iniciou um trabalho pastoral que transformou a realidade local.
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Ao longo de sua missão, fundou obras sociais, incentivou a formação religiosa de crianças e jovens, ajudou na criação de um seminário e esteve à frente da construção da Igreja Nossa Senhora do Pilar, que se tornou referência para a comunidade católica da região.
Além da atuação religiosa, padre Nazareno ficou conhecido pela defesa dos mais vulneráveis e pelo combate a práticas criminosas, como a exploração sexual de menores, a prostituição infantil e o tráfico de drogas. O trabalho desenvolvido pelo sacerdote passou a incomodar grupos ligados à criminalidade.
Na noite de 11 de fevereiro de 2001, dois homens encapuzados invadiram sua residência e efetuaram um disparo que o atingiu gravemente. Após 11 dias internado, o religioso morreu em 22 de fevereiro, aos 61 anos. Antes de falecer, perdoou os responsáveis pelo atentado.
Em abril de 2025, a Igreja Católica reconheceu oficialmente que sua morte ocorreu por ódio à fé, condição que caracteriza o martírio. Com isso, o caminho para a beatificação foi concluído.
Durante a homilia, o cardeal João Braz de Aviz destacou a trajetória missionária do novo beato e afirmou que seu testemunho ultrapassa os limites de Mato Grosso e do Brasil.
A beatificação reuniu fiéis, religiosos e autoridades eclesiásticas em Jauru, marcando um momento histórico para a Igreja Católica em Mato Grosso e celebrando o legado de um sacerdote que dedicou a vida à fé, à evangelização e ao serviço dos mais pobres.
A cerimônia também contou com a presença de autoridades políticas de Mato Grosso, entre elas o ex-governador Mauro Mendes (União) e a ex-primeira-dama Virginia Mendes, além do senador e pré-candidato a governador Wellington Fagundes (PL).
Participaram ainda os deputados estaduais Júlio Campos (União) e Beto Dois a Um (União), bem como a suplente de deputada federal Gisela Simona (União).
















