ANDRÉ MICHELLS
“Eu entendo o Pedro, está certo. Ele é um senador da República e tem que defender a transparência, porque fazer de qualquer jeito [as obras] é que pode impedir que fiquem prontas, e não o excesso de fiscalização”. A declaração é do deputado Sérgio Ricardo, primeiro secretário da Assembleia Legislativa e presidente da Comissão de Acompanhamento das Obras da Copa do Mundo, da AL-MT.
Em entrevista ao RepórterMT Sérgio disse que as cobranças são positivas para que, os que conduzem os processos, trabalhem de forma mais correta, efetiva de com mais competência. Para Sérgio, a burocracia, em tese, atrapalha, mas é fundamental para o processo de transparência de todo o dinheiro vai ser gasto com o evento da Copa do Mundo. “A Comissão de Acompanhamento está vistoriando todas as obras e checando tudo de perto”, disse.
SR vê com normalidade as cobranças e os questionamentos que recaem sobre o governo do estado, em especial sobre a Secopa e seu comandante, Eder Moraes. Por outro lado, Sérgio condenou a exacerbação pessoal nos embates.
“Eder tem que prestar contas e Taques tem que cobrar. Ofensas pessoais não levam a nada; a Copa é mais importante que todos esses personagens, mas eu defendo que não acabem os questionamentos, faz parte do jogo e do processo, cada um tem que fazer seu papel, porque quando se está ali, no calcanhar do agente público, ele vai se preocupar mais, vai trabalhar melhor”, avaliou.
Já o senador Pedro Taques, depois de muito pedir e nada (segundo ele) receber de informações, resolveu deixar Eder Moraes de lado e discutir apenas com o governador Silval Barbosa (PMDB) todo e qualquer assunto relacionado às obras do Mundial. "O governador nunca deixou de nos atender, inclusive, imediatamente aceitou termos uma audiência. Ele foi muito democrático e republicano no sentido de nos deixar participar e ajudar no processo”, pontuou o senador sobre a postura de Silval.
Sobre as preocupações a respeito das obras e o pífio desempenho até aqui (apenas 10 das 111 previstas estão em andamento), SR mostrou-se preocupado, porém confiante. Para o parlamentar haverá tempo e as obras ficarão prontas antes da Copa. Já sobre o VLT o 1º secretário da AL pondera. “Não vejo com preocupação se ficar pronto depois da copa, o que importa é o legado, ele vai colocar Cuiabá 50 anos à frente”, chutou.
O RepórterMT publicou ontem (05) matéria mostrando a complicada realidade das obras em Cuiabá e VG. Segundo relatório da Secopa, enviado para a Comissão presidida por Sérgio Ricardo, existe pelo menos 30 obras importantes que não possuem ainda, sequer, projeto pronto e aprovado para execução.
A obra mais importante, o VLT tem previsão de ser licitado em Abril e, de acordo com projeções do governo, terá prazo de 18 meses para ser concluído. Só para efeito de comparação, as obras do VLT de Jerusalém, em Israel, com toda tecnologia e dinheiro que há por lá, levaram cinco anos para serem concluídas. O modal israelense tem a mesma extensão prevista para o modal de Cuiabá, já que são cidades de porte e população semelhantes.
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