ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
O secretário de Economia de Cuiabá, Marcelo Bussiki, rebateu hoje (3) atribuiu ao ex-secretário de Educação, Amauri Monge, a responsabilidade exclusiva pela compra em excesso de materiais didáticos, que gerou um suposto rombo superior a R$ 70 milhões. Em entrevista à imprensa, Bussiki explicou o funcionamento da estrutura administrativa do município para rechaçar a tese de que a área econômica ou o gabinete do prefeito Abilio Brunini (PL) teriam autorizado o volume das aquisições.
"Na Prefeitura de Cuiabá, quem ordena a despesa é o secretário da pasta. Na Economia sou eu, na Educação era o Amauri. Qualquer tipo de aquisição ou demanda é toda feita pela Secretaria de Educação. Então, foi o secretário Amauri que fez a solicitação, foram assinados os contratos, foram empenhados e tudo devidamente registrado", afirmou Bussiki.
Ele também rebateu a acusação de que a atual gestão teria cometido uma "pedalada fiscal". Bussiki esclareceu que houve uma confusão conceitual por parte do ex-gestor, misturando o mecanismo regular de restos a pagar com omissão de balanços. Segundo ele, pedalada real ocorreu na administração do ex-prefeito Emanuel Pinheiro, que maquiou as contas públicas ao deixar de registrar quase R$ 700 milhões em despesas.
"O secretário Amauri acabou confundindo os termos, usando indevidamente a questão de 'pedalada' quando foi restos a pagar. Isso de fato ocorreu e já está sendo regularizado, com mais de R$ 36 milhões pagos pela atual administração. Restos a pagar ocorrem em toda e qualquer prefeitura", explicou o secretário.
LEIA MAIS: Abilio diz que não assinou compra de R$ 70 milhões em livros: "Quem gasta é o secretário"
Para exemplificar a autonomia das pastas, Bussiki comparou o caso com a Saúde, lembrando que o setor econômico avalia apenas a legalidade dos processos enviados pela Procuradoria Geral do Município (PGM), mas não tem competência para julgar a quantidade de itens solicitados. De acordo com o secretário, cabe unicamente ao ordenador da pasta e ao seu corpo técnico avaliar a real necessidade de consumo da rede pública.
"Se a Saúde pede a aquisição de 100 mil dipironas, sou eu que vou saber a quantidade de demanda de um PSF (Programa Saúde da Família)? Quem sabe a quantidade, quem tem os estudos e a equipe técnica é o secretário da pasta. É ele que faz a solicitação de demanda. Quando o secretário Amauri solicita a questão de livros na quantidade X, é ele que realmente analisou toda essa demanda internamente", concluiu.
A auditoria municipal, instaurada em 28 de janeiro de 2026 pelo próprio prefeito Abilio, apura indícios de irregularidades no uso de inexigibilidade de licitação para a compra dos conteúdos, suspeitos de terem sido gerados por inteligência artificial. Os relatórios já foram encaminhados ao Ministério Público Estadual (MPE) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) para apuração.
Veja o vídeo:












