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29 de Novembro de 2016, 07h:59 - A | A

POLÍTICA / REFORMA TRIBUTÁRIA

Comércio vai pressionar deputados a não votarem reforma

A nova reforma tributária, que o Governo tem pressa para aprovar, será debatida com os parlamentares e segmentos empresariais, em Cuiabá

RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO



Sindicalistas ligados ao setor do comércio estão mobilizando cerca de 1,5 mil empresários, de todas as partes do Estado, na tentativa de barrar a aprovação da polêmica reforma tributária, na Assembleia Legislativa.

A categoria, que montou até caravanas para vir à Cuiabá pedir calma no andamento do processo tributário, quer discutir o assunto de forma mais ampla em 2017.

A minuta, que prevê mudança na forma de recolher impostos, será debatida com os deputados e os segmentos empresariais, na manhã desta terça-feira (29), durante audiência civil pública, no Poder Legislativo.

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio de Calçados e Couros (Sincalco), Júnior César Vidotti, os empresários contam com a sensibilidade do Parlamento para barrar a reforma.

“Os deputados se mostraram sensíveis às nossas demandas. A gente acredita que, se o Governo não se sensibilizar, com certeza, os deputados vão atender à sociedade. Queremos entrar no próximo ano discutindo de forma mais calma esse assunto”, disse o sindicalista.

O segmento alega ainda que o Executivo não discutiu vários pontos considerados polêmicos, como, por exemplo, o aumento de tributos para o consumidor final, além da arrecadação do Estado.

"A gente acredita que, se o Governo não se sensibilizar, com certeza, os deputados vão atender à sociedade. Queremos entrar no próximo ano discutindo de forma mais calma esse assunto”, disse o sindicalista.

“São menos de 15 dias para debater, sendo que não temos conhecimento dos dados finais. Até o momento, o Governo não mostrou nenhuma informação de que não haverá aumento da carga tributária”, disse Vidotti.

Mesmo após a Secretaria de Fazenda negar, o sindicalista acredita que haverá alteração no valor dos impostos.

“O Governo fala que não vai ter aumento, mas, na verdade, pelos estudos que a gente fez com todos os segmentos do comércio, terá, sim, aumento no imposto. E, infelizmente, isso será repassado ao consumidor final”, disse Vidotti.

O presidente do sindicado explicou que, caso a reforma tributária seja aprovada de forma imediata, como quer o Governo, os danos futuros podem ser graves para a economia do Estado, que já enfrenta uma de suas maiores crises.

“Vai acabar sendo um problema futuro. O conceito da FGV [Fundação Getúlio Vargas] é que todo mundo pague para todos pagarem menos. Acontece que iremos pagar mais e isso vai diminuir a base de arrecadação, porque algumas empresas podem fechar e outras operar na informalidade”, disse Vidotti.

O sindicalista observou ainda que as micros e pequenas empresas, por exemplo, que atualmente pagam apenas 7,5% sobre a entrada da mercadoria, vão praticamente dobrar a alíquota, porque terão que pagar duas vezes.

"A primeira é a alíquota do simples (que é sobre a venda do produto) e a outra, é o diferencial de alíquota”, completou.

 

 

 

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