ANA JÁCOMO
GUSTAVO CASTRO
DO REPÓRTERMT
O ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi comentou o cenário pré-eleições na noite de terça-feira (31), durante a cerimônia de posse de Otaviano Pivetta (Republicanos). Ao comentar as recentes movimentações que tiraram o controle do PRD do grupo governista, Maggi não poupou críticas ao sistema de alianças e à falta de autonomia regional das siglas.
"Se tem uma coisa que é uma ditadura são os partidos. O 'dono' do partido toma a decisão que achar melhor para ele. É ruim, mas é normal", disparou Maggi, ao analisar as intervenções que tiraram o ex-secretário da Casa Civil Mauro Carvalho da presidência estadual do partido, conforme conveniências de cúpulas nacionais.
Para Maggi, o maior desafio do novo governador Otaviano Pivetta e de Mauro Mendes (União), que renunciou para disputar o Senado, não é apenas se reorganizar sem o PRD, mas a manutenção da unidade interna. Blairo foi enfático ao defender a permanência do senador Jayme Campos (União) no arco de alianças, alertando que um racha com o cacique várzea-grandense pode ser fatal para o projeto de reeleição do grupo.
"Uma eleição com todo mundo junto já é difícil, separando fica mais complicado. Eu sou daqueles que gostaria de ter o senador Jayme junto com esse grupo. Ele é uma liderança antiga, e muito atuante", alertou Maggi.
O cenário é complexo. Embora pertençam ao mesmo partido, Mendes já declarou que não apoiará a pré-candidatura de Jayme Campos ao Governo de Mato Grosso, reafirmando sua aliança com Pivetta para a sucessão no Palácio Paiaguás.
Jayme, por sua vez, mantém-se como pré-candidato ao Executivo estadual, criando um impasse dentro da legenda e pulverizando os votos entre os aliados.
A mudança repentina no comando do PRD caiu como uma ducha de água fria no Palácio Paiaguás. O que era planejado para ser o "exército reserva" de Pivetta e Mauro, agora virou um problema. Nos corredores da Assembleia Legislativa, os rumores são de que a "tomada" da sigla teria sido articulada por setores da oposição ligados ao PL, visando isolar o União Brasil e o Republicanos na disputa.
Se os boatos de que a legenda agora servirá de palanque para adversários se confirmarem, Pivetta perde um braço importante de capilaridade no interior. O comentário geral é que o grupo governista pode ter subestimado a força das "canetadas" vindas de Brasília. Agora, a missão, seguindo a lógica de Blairo, é pacificar o União Brasil e evitar que o impasse com Jayme sangre ainda mais o arco de alianças. O jogo de 2026 começou bruto em Mato Grosso.
Cenário nacional
Sobre a polarização entre Lula e Bolsonaro, Maggi confirmou apoio à reeleição do senador Carlos Fávaro (PSD), mas evitou palanque presidencial. Como empresário, ressaltou a necessidade de transitar entre os polos.
"Já assumi os riscos que precisava. Agora, vou me conduzir dentro dos âmbitos de aliança, mas sem fazer campanha direta", concluiu.
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