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02 de Novembro de 2015, 07h:50 - A | A

POLÍTICA / ELEIÇÕES 2016

'Apagão' de novas lideranças e desgaste de Lúdio alavancam Mendes, diz analista

Outro fator que favoreceu Mauro Mendes na pesquisa, conforme o professor João Edisom, é que ele assumiu a Prefeitura após cinco anos de gestão desastrosa.

Reprodução

Cientista político João Edisom avalia quadros que favorecem Mendes para reeleição.

Cientista político João Edisom avalia quadros que favorecem Mendes para reeleição.

KEKA WERNECK
DA REDAÇÃO



O “apagão” de novos líderes políticos e o desgaste da imagem do petista Lúdio Cabral contribuíram para o resultado divulgado semana passada, pelo Mark Instituto de Pesquisa e Opinião, distanciando o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), com larga vantagem, dos demais possíveis adversários, já antevendo a eleição municipal de 2016.

"Nós temos um apagão nacional de novas lideranças, não só em Cuiabá. A liderança política do Mauro é muito recente. É de três anos porque sem poder você é uma pseudo-liderança", avalia o analista.

Esta é a avaliação do cientista político João Edisom, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

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“É compreensível (este resultado), por um conjunto de fatores. O primeiro deles é que nós temos um apagão nacional de novas lideranças, não só em Cuiabá. A liderança política do Mauro é muito recente. É de três anos porque sem poder você é uma pseudo-liderança. Os concorrentes, que subiram com ele no mesmo bojo, Pedro (Taques, governador) e Lúdio estão aonde estão. O Lúdio teve um problema muito sério e não foi o fato de perder para o Mauro e na sequência para o Pedro, mas sim familiar”, diz o professor.

Ele se refere ao formato de programa eleitoral, expondo a família e principalmente, no caso de Lúdio, a esposa, muito intensamente, e na sequência disso, após eleição, se separar, deixando a mulher, com um filho recém-nascido.

"As pessoas comentam assim: esse cara falava tanto na mulher, aquela figura cristalizada ao lado dele, e agora abandona com filho pequeno”, detalha João Edisom sobre a separação que gerou a 'queda' de Lúdio.

“Por mais que a separação seja consensual e amigável, estamos em uma sociedade extremamente moralista. Até a esquerda é moralista no Brasil, preconceituosa. Isso pesa muito. Conversei com muitas pessoas e vejo quase uma unanimidade. As pessoas comentam assim: esse cara falava tanto na mulher, aquela figura cristalizada ao lado dele, e agora abandona com filho pequeno”, detalha o cientista político, reforçando que a autoridade pública é sujeita a todo tipo de julgamento popular, independente da questão ser de foro íntimo.

Na modalidade estimulada na pesquisa, Lúdio tem 14% em intenção de voto.

Em terceiro lugar, com 5% das intenções, aparece João Dorileo Leal (PSDB), que é presidente do Grupo Gazeta de Comunicação.  O ex-juiz federal Julier Sebastião (PMDB) e a ex-senadora Serys Slhessarenko empatam com 2% e 1% respectivamente. Não souberam ou não responderam 10%. Votos brancos e nulos somam 13%. 

Outro fator que favoreceu Mauro Mendes na pesquisa, conforme o professor João Edisom, é que ele assumiu a Prefeitura após cinco anos de gestão desastrosa.

Ele se refere ao final do mandato de Wilson Santos (deputado estadual tucano, ex-prefeito de Cuiabá), que no final do período, cumpriu somente dois anos, se afastando para sair candidato a governo, deixando no lugar dele Chico Galindo (PTB), que saiu da Prefeitura, com baixa avaliação.

A força do partido, para o professor da UFMT, não interfere significativamente na pesquisa. Isso porque o PSB, que na penúltima eleição fez muitos prefeitos e estava em um auge eleitoral, sofreu o impacto com a morte do então candidato a presidente Eduardo Campos, após a queda do avião, pegando o país de surpresa.

“Com a morte dele, o partido ficou com o corpo forte, sem cabeça. Falo hoje que o PSB é o inverso do PT. O PT não tem corpo e tem cabeça. O PSB tem corpo mas não tem cabeça”, opina.

No entanto, ele cita que o partido socialista tem dois deputados federais em Mato Grosso, Adilton Sachetti  e Fábio Garcia, e três estaduais, Oscar Bezerra, Eduardo Botelho e Max Russi – e isso significa também muitos votos associados.

Edisom destaca no entanto que ainda tem muito tempo pela frente e o cenário pode mudar.

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