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Cuiabá, 18 de Julho de 2024
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15 de Junho de 2010, 11h:47 - A | A

POLÍTICA /

Amorim pede desarmamento nuclear e nova chance ao Irã

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O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim reiterou sua defesa do acordo assinado entre Brasil, Turquia e Irã em busca de uma solução para a polêmica envolvendo o programa nuclear iraniano e lamentou que não foi dada nem sequer "uma oportunidade" ao acordo.

As declarações foram feitas em um discurso na Conferência sobre Desarmamento da ONU, em Genebra. Amorim também lamentou o fato de os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU serem os cinco Estados nucleares reconhecidos pelo Tratado de Não-Proliferação (TNP), e defendeu uma mudança dessa realidade "anacrônica".

"O poder mundial está se reconstruindo. (...) No terreno econômico e financeiro foi possível obter progresso. Mas no político não foram preenchidas as brechas na legitimidade e na eficácia. E isto é especialmente correto no que diz respeito à paz e à segurança internacional", disse Amorim.

"A infeliz identificação dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU com os cinco Estados nucleares reconhecidos pelo TNP faz com que as decisões nesse âmbito sejam uma espécie de terreno reservado", acrescentou. Por isso, Amorim disse que a Conferência sobre Desarmamento deve ajudar a mudar essa "realidade anacrônica".

"A melhor garantia de não-proliferação é a eliminação total das armas nucleares. E a forma mais efetiva de reduzir os riscos de uma má utilização dos materiais nucleares por atores não estatais é a eliminação irreversível de todos os arsenais nucleares", acrescentou.

Acordo

Amorim se referiu, além disso, ao acordo de troca nuclear assinado entre Brasil, Irã e Turquia, e disse que "o diálogo e a diplomacia" podem ajudar a superar obstáculos.

O ministro disse que Turquia e Brasil --ambos membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU-- "foram guiados pelo objetivo de encontrar uma fórmula que garantisse o direito do Irã a um uso pacífico da energia nuclear, dando garantias de que o programa nuclear iraniano tem fins unicamente civis".

No entanto, Amorim disse não entender "por que não foi dada (ao acordo) pelo menos uma oportunidade de dar seus frutos", depois que o Conselho de Segurança aprovou novas sanções contra Teerã.

"Se as partes decidirem em algum momento voltar à mesa de negociações, enfrentarão um desafio ainda maior", acrescentou.

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