MARCELO FERRAZ
DA REDAÇÃO
O delegado da Polícia Federal, Wilson Rodrigues de Souza Filho, que comandou da 11ª fase da Operação Ararath, confirmou na tarde desta quinta-feira (2), em coletiva à imprensa, que empresários do ramo imobiliário enriqueceram ilicitamente com a venda de imóveis para 'laranjas', que agiam em nome de pessoas investigadas em outras fases da Ararath.
Esses empresários já processados, que tinham contratos com o governo do Estado, usavam as transações imobiliárias para 'lavar dinheiro' e abastecer campanhas eleitorais. As transações teriam ocorrido entre os anos de 2011 e 2014, o que indica que ao menos dois pleitos eleitorais, de municípios e estado, teriam tido dinheiro das ações fraudulentas.
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Ou seja, conforme as fases anteriores da Operação Ararath, os empresários, já arrolados nos autos do processo, pagavam os empréstimos junto a bancos particulares, que seriam feitos pelos políticos, porém, posteriormente conseguiam garantir contratos com o Estado para fornecer serviços ou construir obras. Seriam estes empresários que 'abasteciam' as campanhas daqueles políticos com o intuído de manter os contratos vigentes no Estado.
Desta forma, para omitir a procedência desses recursos obtidos, o dinheiro era repassado para laranjas, que por sua vez, estavam comprando e construindo imóveis pela cidade.
Nova fase
Segundo a Polícia Federal, cerca de 44 empresas do ramo imobiliário, que atuam na capital e no interior do estado, estariam recebendo esses recursos e concedendo escrituras desses imóveis aos 'laranjas' dos empresários ligados a políticos.
Esta nova fase da Operação Ararath justamente conseguiu mapear essas empresas do ramo imobiliário, porque os laranjas que adquiriam os imóveis não estariam prestando as devidas informações para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). O órgão é uma entidade do Ministério da Fazenda, criado como uma Unidade de Inteligência Financeira (UIF) que atua na prevenção dos crimes de lavagem de dinheiro, segundo a Lei 9.613 de março de 1998.
Deste modo, investigadores da PF, em posse dessas informações, cruzaram os dados e acabaram conhecendo a origem do dinheiro que era usado por esses terceiros. Agora, de acordo com a PF, os indícios estão sendo colhidos para provar que essas empresas estariam vendendo os imóveis para terceiros, que agiam em nome dos empresários e políticos já investigados desde as primeiras fases da Operação Ararath.
Operação
A Ararath é operação da Polícia Federal que apura uma série de crimes contra o sistema financeiro e corrupção. Até dezembro de 2015, o Ministério Público Federal informou que total de R$ 449,5 milhões foram bloqueados através da força tarefa montada para combater os esquemas.
Nas investigações aparecem nomes de políticos como o ex-deputado José Riva, o ex-deputado e atual conselheiro do TCE, Sérgio Ricardo, o ex-governador Silval Barbosa, o ex-secretário de Fazenda, Eder Moraes e os ex-conselheiros Alencar Soares e Humberto Bosaipo.
Na primeira sentença oriunda da Operação Ararath foi condenado a 69 anos de prisão o ex-secretário de Fazenda de MT, Eder Moraes. Os dois foram considerados como os operadores do esquema, além dos empresários envolvidos que mantinham contratos com o Estado.

















