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07 de Dezembro de 2022, 12h:22 - A | A

POLÍCIA / MÁFIA DO PÓ

Policiais furtaram 1 tonelada de cocaína apreendida em MT e venderam para traficantes

Polícia Civil apurou que cerca de 1 tonelada de cocaína foi substituída por gesso em pó, areia, isopor e até mesmo tijolo, em Cáceres.

JOÃO AGUIAR
DO REPÓRTERMT



As investigações realizadas pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso no âmbito da Operação Efialtes, deflagrada na manhã desta quarta-feira (07), mostraram que policiais trocavam cocaína por gesso em pó desde 2015.

A droga era armazenada dentro de uma sala da Delegacia Especializada da Fronteira (Defron), em Cáceres (225 km de Cuiabá). Foi apurado que cerca de 1 tonelada de cocaína foi furtada e substituída por gesso em pó, areia, isopor e até mesmo tijolo, simulando o material apreendido.

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“Atuam desde 2015. Não é exato, é o que estamos apurando. Obviamente, com outras medidas, pode ser que o prazo, que o ano, seja pretérito a esse ano de 2015”, afirmou o delegado-corregedor Rodrigo Azem durante coletiva de imprensa.

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Ainda na coletiva, também foi revelado que uma faxineira da Central de Flagrantes (Cisc) de Cáceres foi presa por participação no grupo criminoso. Além dela, um suplente de vereador, que é policial civil, também foi alvo da operação. Ele está foragido.

Investigações

O crime foi descoberto durante uma incineração, no dia 19 de abril, quando policiais constataram que lacres estavam violados. A partir de então um inquérito foi instaurado.

A equipe da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foi acionada e fez a análise de todo material e no laudo foi apontado que a droga apreendida, lacrada e armazenada na Defron havia sido substituída pelos tabletes de isopor, gesso e areia.

Os investigados não apenas fizeram a substituição da droga, mas utilizaram embalagem idêntica à da droga apreendida com o claro objetivo de confundir. Por exemplo, se a droga acondicionada tinha sido embalada com material de cor amarela, o tablete usado para substituí-la também era feito da mesma forma. A justiça determinou bloqueio de R$ 25 milhões em contas suspeitas.

Toda droga era levada para diversos estados. O levantamento apurou que os entorpecentes foram enviados para Uberlândia (MG), na conhecida como ‘rota caipira’ e para o Nordeste (Maranhão e Piauí), sendo utilizadas empresas para lavar o dinheiro nos estados de Tocantins (Palmas/Nova Rosalândia) e de Mato Grosso (Mirassol d’Oeste e Cáceres).

Envolvidos

Com análise dos fatos, foram identificados três grupos envolvidos no esquema: o primeiro dos policiais e de seus auxiliares, para a substituição e furto das drogas apreendidas.

O segundo grupo era dos traficantes, compradores e responsáveis pelos transportes do entorpecente. E por fim, a dos responsáveis pela lavagem de dinheiro, seja pelas empresas ou por laranjas.

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