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Cuiabá, 30 de Maio de 2026
30 de Maio de 2026

30 de Maio de 2026, 09h:58 - A | A

POLÍCIA / PROTEGEU COLEGA

MP acusa delegado de criar narrativa falsa durante julgamento em Cuiabá

Promotores apontam supostas contradições no depoimento do delegado Guilherme Bertoli durante júri sobre morte de policial militar.

VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT



O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) pediu à Corregedoria-Geral da Polícia Civil a abertura de procedimento administrativo contra o delegado Guilherme de Carvalho Bertoli, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF) de Cuiabá, por supostas irregularidades e possível falso testemunho durante o julgamento do investigador da Polícia Civil Mário Wilson da Silva Gonçalves, acusado pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz.

O pedido foi formalizado por promotores do Núcleo de Defesa da Vida após o Tribunal do Júri realizado entre os dias 12 e 14 de maio deste ano, em Cuiabá. Segundo o documento, Bertoli teria apresentado versões incompatíveis com as provas reunidas ao longo da investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

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De acordo com o ofício, o delegado afirmou em depoimento que recebeu uma ligação do investigador Mário Wilson informando que havia “matado um noiado” e que, ao chegar ao local do crime, encontrou papelotes de cocaína próximos ao corpo da vítima. Ainda conforme o relato, uma atendente teria dito que a droga caiu do bolso do policial militar morto.

O Ministério Público, no entanto, sustenta que essa versão nunca apareceu em documentos oficiais da investigação, como boletins de ocorrência, autos de apreensão, laudos periciais ou depoimentos colhidos pela polícia. O órgão também afirma que testemunhas ouvidas pela DHPP apresentaram relatos diferentes dos mencionados pelo delegado.

Os promotores apontam ainda que Bertoli teria deixado de preservar o local do crime e não realizou apreensão da suposta droga que afirmou ter encontrado. Conforme o documento, em vez disso, ele foi ao encontro do investigador acusado e depois o apresentou à DHPP acompanhado de advogado.

Outro ponto destacado pelo Ministério Público é que os delegados André Eduardo Ribeiro e Guilherme Fachinelli, também ouvidos durante o júri, negaram ter recebido de Bertoli qualquer informação sobre a existência de entorpecentes envolvendo a vítima. Para o MP, houve “criação posterior de narrativa dissociada da realidade probatória dos autos”.

O documento afirma ainda que o delegado extrapolou suas funções ao emitir opiniões pessoais sobre o caso, contrariando as conclusões da investigação criminal e também do processo administrativo disciplinar instaurado pela própria Corregedoria da Polícia Civil, que teria sugerido a demissão do investigador Mário Wilson.

Segundo o Ministério Público, as declarações prestadas pelo delegado podem configurar violação de deveres funcionais e o crime de falso testemunho. O órgão pede que a Corregedoria apure a conduta funcional de Guilherme de Carvalho Bertoli e informa que o caso também será encaminhado a uma promotoria criminal para análise de eventual responsabilização penal.

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