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Cuiabá, 30 de Maio de 2026
30 de Maio de 2026

30 de Maio de 2026, 10h:36 - A | A

OPINIÃO / LEANDRO PAOLINI

Antes da mina, vem a ciência: como um geólogo encontra ouro?

LEANDRO PAOLINI



Quando as pessoas pensam em ouro, geralmente imaginam pepitas brilhando no fundo de rios, garimpeiros ou grandes minas em funcionamento. Pouca gente percebe que, antes de qualquer descoberta, existe um longo caminho feito de estudo, pesquisa e muita observação. Antes da mina, vem a ciência. E é justamente aí que entra o trabalho do geólogo.

No Dia do Geólogo, celebrado em 30 de maio, vale lembrar que essa é uma profissão essencial para entender o planeta e transformar conhecimento em desenvolvimento. Afinal, praticamente tudo o que move a sociedade moderna começou com alguém estudando o solo, as rochas e os recursos escondidos no subsolo.

Como geólogo, costumo dizer que uma rocha é muito mais do que uma pedra. Para mim, ela funciona como um livro antigo. Cada marca, cada mineral e cada estrutura contam uma parte da história da Terra. Quando olho para uma amostra de rocha, não vejo apenas a possibilidade de encontrar ouro. Vejo oceanos que desapareceram, montanhas que foram soterradas há milhões de anos e os processos naturais que moldaram o planeta até chegar ao que conhecemos hoje.

Mas também vejo futuro. Vejo a possibilidade de aquela rocha se transformar no aço de um hospital, na energia que chega às cidades, na tecnologia que conecta pessoas ou até nos materiais usados em medicamentos e equipamentos essenciais para a vida moderna.

Muita gente pergunta como um geólogo encontra ouro. A verdade é que esse trabalho se parece muito mais com uma investigação do que com sorte. É como seguir pistas invisíveis espalhadas pela natureza. Tudo começa analisando regiões que possam ter potencial geológico. Estudamos mapas, imagens de satélite, informações antigas e características do terreno em busca de sinais que indiquem a possibilidade da existência de mineralização.

Depois vem o trabalho de campo. Coletamos amostras de solo, sedimentos de rios e fragmentos de rochas para análise. Pequenos vestígios encontrados nesses materiais podem indicar que existe ouro escondido em algum ponto daquela região. Também utilizamos equipamentos modernos capazes de “enxergar” o subsolo sem precisar escavar grandes áreas. São tecnologias que funcionam como uma espécie de raio-X da terra.

Mas, apesar de toda a tecnologia, a essência da profissão continua sendo a interpretação humana. Nenhum equipamento substitui o olhar treinado de um geólogo. A tecnologia ajuda, acelera processos e aumenta a precisão, mas ainda é o conhecimento técnico que transforma dados em descoberta.

Hoje, encontrar ouro ficou muito mais complexo do que no passado. Antigamente, era comum encontrar depósitos superficiais em rios e áreas rasas. Na Baixada Cuiabana, por exemplo, grande parte dessa mineração histórica surgiu dessa forma. Atualmente, a maior parte dos depósitos está escondida em profundidade, coberta por camadas de rocha. Chamamos isso de “depósitos cegos”, porque eles não aparecem na superfície. Por isso, a pesquisa mineral moderna depende cada vez mais de ciência, inovação e planejamento.

Esse processo exige tempo, investimento e persistência. Entre os primeiros estudos e a confirmação de uma jazida, podem se passar anos. Muitas vezes, áreas aparentemente sem valor acabam revelando grande potencial depois que aprendemos a interpretar corretamente os sinais que a geologia apresenta. E talvez esse seja um dos pontos mais fascinantes da profissão: entender que a Terra sempre deixa pistas, mas cabe ao geólogo aprender a lê-las.

O que mais me encanta nessa carreira é justamente a capacidade de transformar conhecimento em algo que impacta diretamente a vida das pessoas. A mineração moderna não começa com máquinas. Ela começa com pesquisa, responsabilidade e ciência aplicada.

Ao longo de mais de uma década a frente do setor de Geologia da Fomentas Mining Company, descobri que o segredo não estava em apenas aplicar manuais internacionais, mas em ter a resiliência para adaptar as melhores práticas de pesquisa mineral, como a sondagem e o rigor do NI 43-101, a um cenário de extrema complexidade: corpos descontínuos, alta variabilidade e baixo teor.

No fim das contas, gosto de pensar que o geólogo é alguém que trabalha conectando passado, presente e futuro. Porque dentro de uma rocha existe muito mais do que minério. Existe história, existe potencial e existe a possibilidade de desenvolvimento para toda uma sociedade.

Para mim a rocha é uma semente - a semente do progresso humano.

 Leandro Paolini é geólogo e gerente de Serviços Técnicos da Fomentas Mining Company

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