LUÍZA VIEIRA
DO REPÓRTERMT
A delegada-geral da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, Daniela Silveira Maidel, afirmou que, apesar dos esforços das forças de segurança no combate ao feminicídio, fatores culturais ainda exercem forte influência sobre o avanço desse tipo de crime no Estado. Somente neste ano, 21 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso. Apenas no mês de junho, já foram registrados três casos.
“Agravamos a pena, estamos investindo duramente na atividade policial tanto na proteção como na investigação, a Secretaria de Segurança Pública como um todo tem se debruçado sobre este tema, a polícia civil, PM, bombeiro, Politec, todos têm buscado. Como eu falei, a questão cultural, a criação dos nossos filhos em algum momento a sociedade brasileira tem errado”, declarou.
>>> Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão
Conforme dados do Observatório Caliandra do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), os meses com maior número de feminicídios em 2026 foram março, com seis registros, e maio, com quatro. Junho já contabiliza três casos, mesma quantidade observada em janeiro e abril. Fevereiro foi o mês com menor incidência, com dois assassinatos.
Entre os casos mais recentes está o da menina de 12 anos que foi espancada e estrangulada pelo pai, Claudinei da Silva, de 42 anos, no domingo (7), em Várzea Grande. Conforme as investigações, o crime teria sido motivado por uma suposta conversa da adolescente com um garoto pelas redes sociais.
Leia mais - Delegada: Autor de feminicídio afirmou ter queimado mulher ainda viva em Várzea Grande
Também em Várzea Grande, Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, foi encontrada nua e com o corpo parcialmente carbonizado no dia 1º de junho. Segundo a Polícia Civil, ela e o suspeito teriam se encontrado na região central da cidade e combinado um programa sexual em troca de dinheiro e drogas. Durante depoimento, o investigado relatou que a vítima desistiu do encontro antes da relação sexual, o que teria provocado uma discussão.
Ao comentar as medidas adotadas para enfrentar a violência contra a mulher, Daniela Maidel destacou que a Polícia Civil tem ampliado o acesso aos serviços por meio de ferramentas tecnológicas. Segundo ela, atualmente as vítimas podem registrar boletins de ocorrência e solicitar medidas protetivas sem sair de casa, utilizando apenas um smartphone.
A delegada-geral ressaltou, no entanto, que o enfrentamento à violência de gênero exige ações que vão além do trabalho policial. Para ela, o problema é complexo e está diretamente ligado a questões sociais e culturais que precisam ser transformadas em todo o país. Ainda assim, enfatizou que a instituição tem buscado ampliar o atendimento às vítimas e que os avanços tecnológicos têm contribuído para tornar esse suporte mais acessível.
Denuncie
A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.
Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.
O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.
Veja o vídeo:















