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Cuiabá, 09 de Junho de 2026
09 de Junho de 2026

09 de Junho de 2026, 12h:30 - A | A

POLÍCIA / VEJA VÍDEO

Delegada: Autor de feminicídio afirmou ter queimado mulher ainda viva em Várzea Grande

Gabryel Junio de Almeida Dirceu, de 20 anos, afirmou em depoimento que a vítima ainda apresentava sinais de vida quando teve o corpo incendiado; Polícia Civil aguarda laudos complementares da Politec

THIAGO NOVAES
DO REPÓRTERMT



Gabryel Junio de Almeida Dirceu, de 20 anos, preso pelo feminicídio de Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, encontrada carbonizada em Várzea Grande, afirmou à Polícia Civil que a vítima ainda apresentava sinais de vida quando teve o corpo incendiado. A declaração abriu uma nova frente de investigação e pode resultar no enquadramento de outros crimes além do feminicídio.

A informação foi divulgada pela delegada Jéssica Assis, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), durante entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (9). Segundo ela, a Polícia Civil aguarda análises complementares da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para esclarecer se a mulher já estava morta quando o fogo foi ateado ou se ainda permanecia viva.

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De acordo com a delegada, o investigado relatou, em interrogatório, que a vítima ainda se mexia quando foi incendiada. A afirmação levantou dúvidas sobre a dinâmica do crime e levou os investigadores a avaliarem a possibilidade de outros enquadramentos penais.

“Ele disse que ela ainda ainda estava viva, ela se mexia, ela não conseguia balbuciar, mas ela estava naquele período que a gente chama de período perimortem. Então, a gente vai ter que aí fazer um pedido complementar pra Politec e verificar se realmente se tratou só de um feminicídio, se foi um exaurimento do crime, se de repente pode ter configurado um crime de tortura ou se foi uma mera impressão dele se trata efetivamente de uma ocultação de cadáver”, afirmou.

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O acusado foi preso na segunda-feira (8), após uma força-tarefa da DHPP que mobilizou mais de 20 policiais em diligências de campo, análise de imagens e ações de inteligência. Segundo a investigação, ele não conhecia a vítima antes da noite anterior ao crime.

Conforme apurado pela Polícia Civil, os dois se encontraram na região central de Várzea Grande e teriam combinado um programa sexual em troca de dinheiro e drogas. Durante o depoimento, o investigado afirmou que a mulher desistiu do encontro antes da relação sexual, o que teria provocado uma discussão.

Para a delegada, o caso evidencia uma situação de violência motivada pela recusa da vítima.

“Então é mais um caso que a gente vê de uma completa e total objetificação do corpo da mulher, do descarte da autonomia de vontade do corpo feminino em relação ao que quer e o que não quer fazer.”, declarou.

O homem foi autuado em flagrante por feminicídio e permanece à disposição da Justiça. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais para definir se novas acusações poderão ser incluídas na investigação.

Veja vídeo:

Denuncie

A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.

Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.

O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.

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