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02 de Dezembro de 2014, 20h:39 - A | A

POLÍCIA / IDENTIFICADO E INTIMADO

Guarda municipal de VG envolvido em tiroteio que matou jovem em mercado vai depor nesta quarta

Evanildo Laurindo da Silva vai depor nesta quarta-feira (3). O comandante da GM, Louriney dos Santos Silva ainda não sabe se vai abrir um processo administrativo

JOÃO RIBEIRO
DA REDAÇÃO



O guarda municipal de VG, Evanildo Laurindo da Silva foi identificado nas investigações da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa de Cuiabá (DHPP) como o Guarda Municipal que teria trocado tiros com dois homens, ainda não identificados, no supermercado Bom Gosto, no bairro Jardim dos Estados, em Várzea Grande, no dia 22 de outubro, matando Ana Cláudia Alves da Silva, de 27 anos. 

Ana Cláudia pode ter morrido em um suposto 'acerto de contas' entre os assaltantes e o servidor municipal.

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O guarda vai depor nesta quarta-feira (3), na DHPP da Capital. O delegado responsável pelo caso, Antônio Carlos Araújo, quer saber, de fato, qual a participação de Evanildo no caso. 

SITUAÇÃO NA GUARDA MUNICIPAL

Ao RepórterMT, o comandante da GM, Louriney dos Santos Silva, destacou que ainda não sabe se vai abrir um processo administrativo para apurar a acusação contra Evanildo. Segundo Silva, no documento de intimação para o depoimento consta apenas o pedido para que o comando da Guarda Municipal faça a liberação do agente durante horário de expediente para prestar depoimento.

“Na intimação, não fala se ele (Evanildo) está sendo indiciado ou acusado. E sim, que vai depor sobre o homicídio da Ana Cláudia”, explicou o comandante da GM.

Louriney ainda afirmou que após o término do depoimento, irá ligar para o delegado da DHPP, Antônio Carlos Araújo, afim de saber em que circunstâncias o caso está. Segundo ele, se o delegado, de imediato, disser que o servidor cometeu alguma infração da legislação brasileira, o procedimento administrativo será instaurado. “Se tiver algum indício nesse sentido, vou abrir o inquérito imediatamente” destacou.

Mesmo com indícios de que Evanildo estaria armado fora de serviço, Louriney explicou que a informação ainda não é o suficiente para abrir o processo administrativo. Os GM’s só podem cautelar uma arma de fogo durante o horário de serviço. 

“Existe essa possibilidade (que ele estivesse armado), mas o servidor pode ter o porte individual e estar com a arma particular devidamente registrada. Com isso, essa informação quem vai apurar será o delegado, que deve me passar essas informações em seguida" comentou Louriney.

CANDIDATO A VEREADOR

Evanildo Laurindo da Silva foi candidato a Vereador de Várzea Grande nas eleições de 2012. Com o slogan ‘Laurindo da Guarda’, ele teve 159 votos e não foi eleito.

GM NEGOU SUSPEITA DE GUARDA MUNICIPAL NO CASO

No dia 28 de outubro, Louriney negou ao RepórterMT a participação de um dos agentes da corporação no caso. Mas afirmou que se fosse comprovado essa participação iria colaborar com as investigações. “Testemunhas teriam dito para a Polícia Militar que o homem que reagiu a ação dos bandidos seria um servidor da GM. Porém, até o momento, esse homem não foi identificado e não sabemos de fato, se é servidor da corporação. Futuramente, caso se comprove que ele seja um agente, vamos fazer o máximo possível para colaborar com as investigações”, explicou naquela data. 

MUDANÇA NAS INVESTIGAÇÕES

O caso foi repassado a DHPP, pelo delegado Bruno Barcellos, da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), após J.C.M.C., de 17 anos, ser descartado como participante do crime. Ele foi preso minutos depois do tiroteio no estabelecimento, em um bairro próximo.

Na abordagem da Polícia Militar, o comparsa do menor, Elivelton Mendonça Passaglia, de 18 anos, reagiu tentando sacar um revólver calibre 38, foi baleado e morreu no Pronto Socorro Municipal.

Ao RepórterMT, o delegado Araújo explicou que após o crime, à Polícia recebeu a informação que os outros dois homens que teriam trocado tiros com o GM, não chegaram de anunciar o roubo,  como foi relatado à PM. “Houve muitos boatos após o crime e por isso, temos que checar todas essas informações para verem quais são verdadeiras” destacou.

Segundo o delegado, a hipótese de execução não é descartada. Já que existe a possibilidade do GM ter reconhecido os dois homens no mercado como criminosos ou desafetos e por isso, ter iniciado a troca de tiros. No tiroteio além de Cláudia outras duas pessoas foram baleadas, mas sobreviveram recebendo alta médica dias depois.

O delegado ainda deve apreender a arma do GM para entregar a Perícia Oficial de Identificação Técnica (Politec), que irá fazer o exame balístico. "Com a conclusão do laudo, vamos saber se os tiros que saíram da arma dele (GM) foram os que atingram as vítimas", explicou.  

O tiroteio no supermercado Bom Gosto, em Várzea Grande, ocorreu por volta das 17h do dia 22 de outubro. Além de Ana Cláudia, Larissa Valéria levou um tiro no quadril e um adolescente foi atingido de raspão em um dos braços. Equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) levou os três ao Pronto-Socorro Municipal. No entanto, Ana Cláudia morreu dois dias depois, no Hospital Santa Rosa, na Capital. 

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