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23 de Setembro de 2026, 08h:52 - A | A

POLÍCIA / DINHEIRO DO CRIME

Empresa de fachada em VG movimentou R$ 13,2 milhões em quatro anos, aponta polícia

Empresa movimentou R$ 13,2 milhões em apenas quatro anos, apesar de não apresentar estrutura física compatível com a atividade comercial declarada

PJC-MT

operação janus

DO REPÓRTERMT



Uma empresa do ramo de alimentos sediada em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, apontada pela Polícia Civil como parte de um esquema de lavagem de dinheiro de uma facção, movimentou R$ 13,2 milhões em apenas quatro anos, apesar de não apresentar estrutura física compatível com a atividade comercial declarada. O negócio é um dos alvos da Operação Janus, deflagrada hoje (23).

Segundo a investigação da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), empresas formalmente constituídas para comercializar alimentos e cestas básicas eram utilizadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com crimes, entre eles tráfico de drogas e golpes virtuais.

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Os investigadores identificaram operações comerciais que teriam sido simuladas para ocultar a verdadeira origem dos recursos. No caso da empresa de Várzea Grande, chamou a atenção da Polícia Civil o volume milionário movimentado em contraste com a falta de estrutura física compatível com a atividade que constava formalmente nos registros.

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A apuração também encontrou movimentações milionárias nas contas de pessoas ligadas ao grupo. Uma das mulheres investigadas movimentou mais de R$ 36 milhões, enquanto outro alvo registrou movimentação superior a R$ 4,7 milhões, valores considerados incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos investigados.

Além da movimentação financeira, a facção teria utilizado a distribuição de cestas básicas como parte da estrutura criminosa. Conforme a Polícia Civil, os alimentos eram entregues a integrantes e simpatizantes do grupo, numa estratégia que teria dupla finalidade: auxiliar na lavagem dos recursos e ampliar a influência da organização criminosa em determinadas regiões.

As investigações apontaram ainda uma divisão de tarefas. Enquanto alguns integrantes seriam responsáveis pela obtenção e movimentação dos recursos, outros cuidavam da compra dos alimentos e da logística de distribuição das cestas. Um dos investigados é apontado como responsável por organizar essas entregas e atuar no fortalecimento territorial da facção.

A Operação Janus cumpre 14 ordens judiciais, sendo 11 mandados de busca e apreensão, além de medidas para o sequestro de bens móveis e imóveis relacionados aos investigados. As ações ocorrem em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, em Mato Grosso, e em Goiânia (GO).

Os alvos são investigados pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá.

A investigação teve início a partir da análise de materiais apreendidos em operações anteriores da GCCO/Draco. Conforme a Polícia Civil, até integrantes que já estavam presos participavam da articulação das atividades do grupo.

Entre os bens alcançados pelas medidas de sequestro estão um veículo e um imóvel em Goiânia, que, segundo a investigação, podem ter ligação com dinheiro proveniente das atividades criminosas.

O nome Janus faz referência ao deus romano Jano, representado com duas faces. Segundo a Polícia Civil, a denominação simboliza justamente as duas faces do esquema investigado: de um lado, a aparência de atividade comercial e assistência social com a entrega de cestas básicas; do outro, a suspeita de utilização dessa estrutura para movimentar e ocultar dinheiro do crime organizado.

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