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01 de Maio de 2015, 07h:00 - A | A

POLÍCIA / VIDA DE DETENTO

Éder Moraes completa um mês de prisão, marmitex e banho de sol

Ex-secretário é acusado de comandar esquema financeiro ilegal para contemplar políticos de Mato Grosso.

Reprodução

No Centro de Custódia de Cuiabá, Moraes divide cela com um traficante de drogas e um homem que foi preso por não pagar pensão alimentícia.

No Centro de Custódia de Cuiabá, Moraes divide cela com um traficante de drogas e um homem que foi preso por não pagar pensão alimentícia.

KEKA WERNECK
DA REDAÇÃO



Completa nesta sexta-feira, 1 de maio, um mês que o ex-secretário de Estado de Fazenda, Éder Moraes, apontado como lobista pelas investigações da Operação Ararath, está preso no Centro de Custódia de Cuiabá.

Ele divide com mais dois detentos uma cela de quatro por quatro metros, onde há duas bicamas de cimento, com colchão em cada uma delas, e uma TV.

Ele divide com mais dois detentos uma cela de quatro por quatro metros, onde há duas bicamas de cimento, com colchão em cada uma delas, e uma TV. Nada de celular e nenhuma forma de acesso à internet. O banheiro é coletivo para todos da ala.

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Os colegas de cela dele são um homem preso, por não pagar pensão alimentícia, e outro por tráfico de drogas. Já Éder responde por crime contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, corrupção e formação de quadrilha.

Ele havia sido detido na quinta etapa da Ararath, em maio do ano passado, e ficou 82 dias encarcerado em Brasília, no Complexo Penitenciário da Papuda. Conseguiu Habeas Corpus, mas voltou a ser preso, dia 1 de abril deste ano, na sétima etapa da mesma Operação.

Investigações da Polícia Federal, que conduz a Ararath, apontam que o ex-secretário intermediava um esquema de financiamento ilegal, junto ao Bic Banco, para contemplar o sistema político mato-grossense.

Éder Moraes foi preso porque, mesmo impedido judicialmente de movimentar seu patrimônio foi flagrado tentando passar um terreno para o nome do filho dele.

Dos políticos envolvidos no caso, o ex-deputado estadual José Riva (PSD), que também está detido no Centro de Custódia de Cuiabá, seria o mais visado, por também exercer liderança nas transações. Conforme denúncia do Ministério Público Estadual, Riva usou R$ 2 milhões do esquema, sem a devida notificação ao Banco Central, para campanha política e pendências da vida parlamentar.

Riva foi preso na quinta etapa da Ararath, também ficou na Papuda, mas conseguiu a liberdade em três dias, voltando a ser detido dia 21 de fevereiro deste ano, por outra Operação, a Imperador, na qual é apontado como líder de outro esquema, que teria desviado R$ 62 milhões da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

No Centro de Custódia de Cuiabá, os dois - Éder e Riva - que, segundo o MPE - já foram comparsas no esquema Ararath, ficam a 15 metros de distância, em alas opostas. Não podem ter comunicação nenhuma, nem visual.

O Centro de Custódia de Cuiabá abriga presos que têm curso superior e que ainda não foram condenados.

Informações do sistema prisional é que todos ali têm a mesma rotina. Podem acordar a hora que quiserem, mas a cela abre às 7, para a entrega do café da manhã.

Das 7h às 19 horas, todos podem sair  e circular pelo pátio da ala, tomar banho de sol ou frequentar a biblioteca. Durante todo o dia, não fazem nenhum tipo de serviço, arte e nem assistem aula ou atividades do gênero.

Na hora do almoço e do jantar, a comida é servida na cela, em marmitex.

Na cela, após as 19 horas, os presos, já trancados, podem ler e ver televisão.

As visitas familiares são marcadas para as quartas-feiras e domingos, das 8h às 10h30 e das 13h30 às 15h30. Já os advogados têm acesso livre de segunda à sexta das 8h às 18 horas.

A PF investigou que ele também havia comprado veículos de luxo em nome de "laranjas", com o intuito de ocultar a real propriedade e impedir o cumprimento de decisão judicial de sequestro e arresto de bens.

A última vez que saiu do Centro de Custódia de Cuiabá, Éder Moraes foi depor junto à Comissão Parlamentar de Inquérito das obras da Copa do Mundo, instaurada pela AL-MT. No trajeto, contou com força policial para impedir fuga. Na opinião dos deputados que compõem a comissão, interrogá-lo seria importante porque Moraes estava entre os defensores árduos do mundial em Cuiabá e assumiu, no governo de Blairo Maggi, a direção do primeiro órgão criado extraordinariamente para cuidar dos empreendimentos necessários à adequação da cidade, a Agecopa.

Chegando para depor, o presidiário surpreendeu pela elegância, usando terno e gravata e não aparentando abatimento.

O terno que Moraes usou na oitiva da CPI foi lavado, passado e entregue a ele pela família e depois da audiência devolvido.

Na unidade prisional, não é obrigatório usar uniforme e todos ficam de chinelo, bermuda e camisa, de acordo com informações da Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh).

Para lavar essas poucas peças de roupa, tem um tanque. O sabão é cedido pela unidade.

Éder Moraes foi preso porque, mesmo impedido judicialmente de movimentar seu patrimônio, já que responde processos, que devem terminar em pedido de devolução de dinheiro ao erário, foi flagrado tentando passar um terreno para o nome do filho dele.

Além disso, a PF investigou que ele também havia comprado veículos de luxo em nome de "laranjas", com o intuito de ocultar a real propriedade e impedir o cumprimento de decisão judicial de sequestro e arresto de bens.

O RepórterMT tentou ouvir o advogado de Éder Moraes, Ronan Oliveira, para saber qual é a situação jurídica do cliente dele, mas ele estava viajando devido ao feriado.

Midiático, Éder Moraes sempre atendeu o celular para dar entrevistas à imprensa, mas desta vez o RepórterMT não conseguiu fazer contato, porque o aparelho estava desligado.

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Elma Nara 02/05/2015

O texto estava ótimo, até eu ler "janta". #jantar #ficariamelhor

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