Cuiabá, 27 de Outubro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
27 de Outubro de 2026

31 de Agosto de 2026, 16h:18 - A | A

POLÍCIA / PÁTIO PARALELO

Desembargador concede prisão domiciliar a ‘Sarinha da Toyota’, alvo de operação sobre esquema de R$ 50 milhões

Apontada como cabeça de organização criminosa em Sorriso, investigada ganha direito à prisão domiciliar após defesa alegar que ela é mãe de criança pequena e se entregou voluntariamente.

Montagem: RepórterMT

Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como “Sabrina da Toyota”, ficou presa na Cadeia Pública de Colíder.

Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como “Sabrina da Toyota”, ficou presa na Cadeia Pública de Colíder.

ANA ADÉLIA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT



O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) concedeu prisão domiciliar a Vitória Sara Bezerra, apelidada de “Sarinha da Toyota”. Alvo principal da “Operação Pátio Paralelo”, conduzida pela Polícia Civil em Sorriso (a 420 km de Cuiabá), ela é apontada como uma das principais integrantes de um esquema de desvio de veículos de uma concessionária que teria movimentado cerca de R$ 50 milhões em apenas um ano.

A ordem de soltura foi assinada pelo desembargador Orlando de Almeida Perri, atendendo a um pedido de habeas corpus impetrado pelo advogado William Puhl. A defesa sustentou que a Vitória possui uma filha de 4 anos, não cometeu delitos com emprego de violência e colaborou ao se apresentar espontaneamente à delegacia. Ao analisar o pleito, o magistrado ponderou que os policiais já recolheram os principais dispositivos eletrônicos e papéis durante as buscas, esvaziando o risco de destruição de provas.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

Com a conversão da preventiva, Sarinha terá de cumprir uma série de restrições rigorosas: manter o cadastro residencial e telefônico atualizado junto à Justiça e ficar absolutamente proibida de se comunicar com qualquer um dos corréus citados no inquérito policial ou com as vítimas lesadas pelo grupo. O descumprimento de qualquer exigência resultará na revogação do benefício e no retorno imediato à cadeia.

O rombo na concessionária

Deflagrada pela Polícia Civil, a Operação Pátio Paralelo nasceu de uma devassa contábil e comercial em uma revendedora de veículos do município. O bando se aproveitava da fachada e da reputação comercial do estabelecimento para atrair consumidores e desviar automóveis e somas em dinheiro.

O modus operandi consistia em recolher carros usados dados por compradores como entrada para adquirir modelos novos. Contudo, em vez de abaterem o montante na transação conforme o combinado, os suspeitos repassavam os automóveis para outras garagens associadas à quadrilha.

Até o momento, a Delegacia de Sorriso contabilizou entre 15 e 20 vítimas lesadas diretamente pelo esquema, com prejuízos estimados em mais de R$ 2 milhões. O montante, contudo, pode subir à medida que novas oitivas e análises financeiras avançarem, visto que o dinheiro das negociações era pulverizado em contas de laranjas e empresas de fachada ligadas ao grupo.

Comente esta notícia