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09 de Junho de 2017, 11h:44 - A | A

POLÍCIA / ESCÂNDALO DAS ESCUTAS

Desembargador afasta Stringueta da investigação dos 'grampos'

O motivo usado é de que pessoas com prerrogativa de foro privilegiado são suspeitas de participação direta e indireta nos casos de escutas ilegais tanto da Polícia Militar quanto da Polícia Civil e Stringueta não tem competência para investigá-las.

RpMT/Assessoria

O delegado Flávio Stringueta tinha sido nomeado no dia 31 de maio para comandar a equipe que ganhou o nome de Investigação Especial.

O delegado Flávio Stringueta tinha sido nomeado no dia 31 de maio para comandar a equipe que ganhou o nome de Investigação Especial.

LUIS VINICIUS
DA REDAÇÃO



O desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), revogou a nomeação do delegado Flávio Henrique Stringueta, que era o responsável pela investigação dos policiais civis e militares envolvidos em esquemas de escutas ilegais, operados entre os anos de 2014 e 2015. A decisão que foi proferida na quinta-feira (8). 

O motivo usado é de que pessoas com prerrogativa de foro privilegiado são suspeitas de participação direta e indireta nos casos de escutas ilegais tanto da Polícia Militar quanto da Polícia Civil e Stringueta não tem competência para investigá-las.

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“Por derradeiro, e por razões obvias, diante das remessas dos autos ao Procurador-Geral de Justiça, a quem competirá dar prosseguimento à apuração dos fatos, torno sem efeito a decisão por mim proferida às fls. 117/119, revogando a nomeação do Dr. Flávio Henrique Stringueta como Delegado Especial”, diz trecho da decisão.

Perri é o relator da notícia-crime encaminhada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT) para apurar o esquema das interceptações telefônicas no Estado. O desembargador foi sorteado no dia 25 de maio para conduzir o caso. Na mesma decisão, ele retirou o sigilo da notícia-crime e permitiu que a OAB acompanhe todas as investigações.

Stringueta foi nomeado no dia 31 de maio para comandar a equipe que ganhou o nome de Investigação Especial, porém o magistrado entendeu que a apuração deverá ser conduzida pela Procuradoria-Geral da República.

A ação tem como objetivo investigar a participação de policiais nas ações de escutas clandestinas, de políticos, advogados, agentes públicos e jornalistas, que tiveram suas linhas telefônicas inseridas ilegalmente em pedido de interceptação telefônica, como se fizessem parte de uma quadrilha de tráfico de drogas internacional, da qual participariam policiais. Este sistema de inclusão ilegal é conhecido como "barriga de aluguel".

O caso

O sistema de escutas clandestinas foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, ex-secretário de Segurança do Estado. Ele afirma que o mesmo era operado pela Polícia Militar, de 2014 a 2015, com o conhecimento do então comandante-geral, Zaqueu Barbosa.

Desta forma, o juiz Marcos Faleiros determinou a prisão do coronel e também do cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correa Júnior, apontado como operador do sistema ilícito.

De acordo com Faleiros, foi o cabo Gerson Luiz quem fez o pedido à Justiça para interceptar números de linhas telefônicas, justificando que seriam de pessoas ligadas à uma rede de tráfico internacional de drogas. O cabo atuava no Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual. Atualmente ele estava lotado na Casa Militar do Estado. 

 

Outro lado

 

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) que afirmou que por hora não vai se posicionar.

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