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02 de Setembro de 2026, 17h:40 - A | A

POLÍCIA / NO TRIBUNAL DE ÉTICA

Após deixar prisão, professor de Direito da UFMT acusado de assediar aluna denuncia advogado da vítima à OAB

Saulo Tarso Rodrigues acusa Yuri Machado de vazar informações sigilosas do processo

Reprodução

Saulo Tarso Rodrigues denunciou Yuri Machado à OAB

Saulo Tarso Rodrigues denunciou Yuri Machado à OAB

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



Após ter a prisão preventiva revogada, o professor de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Saulo Tarso Rodrigues, acusado de assédio contra uma aluna, denunciou o advogado da vítima, Yuri Machado, ao Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso (OAB-MT), alegando que o jurista teria vazado informações sobre o processo, que tramita em sigilo.

O advogado, por outro lado, negou as acusações. Ao RepórterMT, ele informou que não enviou nenhuma informação sobre o processo.

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Yuri Machado afirmou que vai aguardar o Tribunal de Ética se manifestar formalmente para se defender, inclusive com provas de que não vazou as informações sigilosas.

Os procedimentos do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB tramitam em sigilo.

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Conforme informado pela reportagem anteriormente, informações sigilosas sobre o processo teriam sido enviadas por pessoas ligadas ao professor em um grupo de acadêmicos da UFMT.

Saulo Tarso Rodrigues foi acusado de assédio contra uma aluna do curso de Direito. Em um boletim de ocorrência, a vítima relatou que o contato com o professor teve início em fevereiro de 2026. Segundo ela, a relação entre os dois era, inicialmente, apenas de professor e aluna, considerada normal.

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Contudo, com o passar do tempo, Saulo Tarso Rodrigues passou a oferecer caronas e convidar a estudante para sair após as aulas. Ele também enviava mensagens chamando-a para tomar vinho e sentava-se ao lado dela durante as aulas, tratando-a de forma diferente dos demais alunos.

Em uma das mensagens destinadas à aluna, o professor teria dito: “você fica bem de vermelho”, causando desconforto à estudante. Ele também teria perguntado onde ela morava, tentado marcar encontros e feito ligações insistentes.

Após o excesso de mensagens, a vítima decidiu bloquear o professor no WhatsApp. No entanto, ele teria passado a questionar outros alunos sobre a estudante, usado a própria mãe para enviar mensagens a ela e começado a utilizar outro número de telefone.

A vítima chegou a enviar uma mensagem pedindo que ele não a procurasse mais e voltou a bloqueá-lo. Mesmo assim, ele teria passado a enviar mensagens para ela pelo Instagram.

Ainda conforme o relato, a mulher de Saulo Tarso Rodrigues também teria enviado mensagens à estudante.

Em razão dos fatos, a vítima representou criminalmente contra o professor pelos crimes de importunação sexual e perseguição (stalking), além de solicitar medidas protetivas, que foram deferidas pelo juiz Marcos Terêncio Agostinho Pires.

O professor está proibido de se aproximar da vítima, de seus familiares e das testemunhas, devendo manter distância mínima de 500 metros; de manter contato com a vítima, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; e não pode frequentar a residência nem o local de trabalho da estudante.

No entanto, no início de agosto, Saulo Rodrigues descumpriu as determinações e teria utilizado terceiros para tentar contatar a vítima, repassar informações sigilosas da ação em um grupo acadêmico com centenas de membros e abordado diretamente testemunhas do caso.

Afastamento

A denúncia de assédio contra a aluna fez com que a Universidade Federal de Mato Grosso afastasse o professor Saulo Tarso Rodrigues no dia 24 de julho deste ano. De acordo com a instituição, um processo administrativo apura as condutas denunciadas contra o docente, que, além de assediar a estudante, teria insistido em manter contato com ela e feito ameaças.

Ainda conforme a universidade, o afastamento é cautelar e visa resguardar a aluna.

Stalking

No dia 21 de julho deste ano, o juiz da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, Valter Fabrício Simioni da Silva, condenou o professor Saulo Tarso Rodrigues a 10 meses e 15 dias de prisão, em regime inicial aberto, além do pagamento de 15 dias-multa, pelo crime de perseguição (stalking) praticado contra a ex-esposa, no contexto de violência doméstica.

Ele também foi condenado ao pagamento de R$ 3 mil por danos morais à vítima.

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Conforme a decisão judicial, o caso teve início após o fim de um relacionamento de aproximadamente 13 anos. Segundo a denúncia, entre setembro e outubro de 2022, o professor teria enviado diversos e-mails à ex-esposa insistindo em encontros presenciais, mesmo após ela informar que desejava manter contato apenas para tratar de assuntos relacionados aos filhos.

Na sentença, o magistrado apontou que as mensagens tinham tom intimidatório e que Saulo demonstrava conhecer a rotina da vítima.

O juiz também considerou relatos de ameaças anteriores contra a mulher e seus familiares, registrados no Formulário Nacional de Avaliação de Risco, além de menções ao possível uso de arma de fogo e de falas relacionadas a suicídio.

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