MARCIO CAMILO
DA REPORTAGEM
O empresário Alan Malouf confessou ter procurado o sócio do Grupo JBS, Wesley Batista, para pedir doações para a campanha vitoriosa do então candidato ao Governo Pedro Taques (PSDB), no ano de 2014. Taques também teria participado em uma das reuniões na casa do delator.
A informação consta no acordo de colaboração premiada do empresário com a Procuradoria Geral da República (PGR), que teve o sigilo levantado pelo ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, com 20 anexos, o empresário relata casos de corrupção na Gestão Taques.
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O dono da JBS teria deixado claro que o seu grupo empresarial “tinha interesse em aumentar os investimentos no Estado, construindo mais unidades da Friboi”
Malouf narra que o pedido foi feito quando Wesley esteve em Cuiabá durante o período eleitoral, após ser apresentado ao empresário pelo primo dele, Fernando Mendonça.
Malouf afirmou na conversa, segundo a delação, que contou a Wesley ser o responsável por captar recursos para Taques e perguntou se ele tinha interesse em “contribuir” com o projeto.
Como abriu possibilidade para financiar a campanha, o empresário voltou a se encontrar com Alan Malouf em uma nova reunião, desta vez, com a presença de Taques.
No encontro, que teria ocorrido na residência do delator, o então dono da JBS teria deixado claro que o seu grupo empresarial “tinha interesse em aumentar os investimentos no Estado, construindo mais unidades da Friboi”.
No entanto, Wesley teria voltado e avisado que não iria mais ajudar na campanha do candidato a governador.
Após as reuniões em Cuiabá, conforme a delação, Malouf se encontrou novamente com Wesley, só que dessa vez em São Paulo. Na conversa, o empresário cuiabano solicitou um empréstimo para sua empresa – o Buffet Leila Malouf – além de insistir para que o dono da JBS ajudasse a financiar a campanha de Taques.
No entanto, Wesley teria voltado e avisado que não iria mais ajudar na campanha do candidato a governador nem conceder o empréstimo para Malouf.
O delator não soube dizer se posteriormente o dono da Friboi ajudou Taques. Malouf também não confirma se a possível contribuição seria por meio de “Caixa 2” – sem que o dinheiro fosse declarado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT).
Wesley e o seu irmão Joesley Batista já foram presos pela Polícia Federal acusados pelo financiamento de diversas campanhas políticas pelo Brasil, através de Caixa 2. Uma delas seria a do presidente Michel Temer, com uma doação de 15 milhões, em 2014.
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