VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, revelou que o órgão está apurando uma denúncia de que livros escolares de Várzea Grande foram queimados no forno de uma cerâmica. A declaração foi feita durante uma live nas redes sociais, na manhã dessa quarta-feira (17).
Na noite do mesmo dia, um incêndio atingiu o depósito da Secretaria Municipal de Educação e destruiu diversos materiais escolares, merendas e cerca de 30 mil uniformes.
“Eu tenho notícia também que muitos livros de Várzea Grande, isso ainda nós estamos procurando, muitos livros de Várzea Grande foram queimados em uma cerâmica”, disse o conselheiro.
Sérgio Ricardo informou que está realizando uma auditoria e buscando provas para confirmar a denúncia.
Na live, o conselheiro afirmou ainda que muitas cidades escondem livros em barracões e que não adianta removê-los, porque os depósitos estão sendo monitorados.
“Não adianta mais ninguém mexer, porque nós já sabemos onde estão escondidos os livros, então não adianta tentar retirar os livros do lugar, porque agora não tem mais jeito queimar, picotar, tá todo mundo de olho. O Tribunal de Contas está recebendo diariamente denúncias”, disse.
As declarações foram feitas ao lado da vereadora de Água Boa (a 627 km de Cuiabá), Josi Koch (PL), que foi ao TCE denunciar que livros do município foram picotados em uma recicladora antes mesmo de serem abertos.
Tanto o caso de Várzea Grande quanto o de Água Boa, além do caso recente de compra irregular de livros em Cuiabá, foram classificados pelo conselheiro Sérgio Ricardo como “escândalos dos livros”.
Fogo em Várzea Grande
Após o incêndio no depósito da Educação, o conselheiro voltou às redes sociais para afirmar que vai acompanhar a perícia para entender a origem do fogo que atingiu o local. Ele disse ter recebido informações de que três caminhões, 30 mil uniformes e muitos livros foram queimados e questionou a segurança do depósito.
“Iremos acompanhar a perícia para entender qual a origem desse fogo que está queimando o patrimônio público. Não havia guardas no local? Segundo as últimas informações, já foram queimados 3 caminhões, 30 mil uniformes e muitos livros”, publicou Sérgio Ricardo.
A secretária de Educação de Várzea Grande, Maria Fernanda Figueiredo, estimou que aparelhos de ar-condicionado que seriam instalados, geladeiras, freezers e merendas também foram destruídos pelas chamas.
Em nota, a Prefeitura de Várzea Grande informou que está realizando um levantamento dos prejuízos.
Vereadores de oposição à gestão da prefeita Flávia Moretti (PL) estiveram no local durante o incêndio e levantaram a suspeita de que o fogo possa ter origem criminosa, já que ocorreu em um contexto de questionamentos relacionados aos uniformes armazenados no depósito.
Os uniformes em questão já foram alvo de investigação em uma Comissão Processante na Câmara Municipal de Várzea Grande, por suspeita de propaganda institucional e promoção pessoal da gestão de Flávia Moretti, pois tinham estampado o slogan da atual administração: “Transparência, Trabalho e Progresso”. A comissão já foi arquivada.
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Na última semana, a secretária Maria Fernanda já havia informado à imprensa que os uniformes estavam armazenados e que a gestão pretendia colocar uma logomarca correta sobre o slogan e reaproveitá-los, pois a rede pública de ensino havia recebido mais de seis mil alunos que não estavam previstos.
Flávia Moretti também esteve no local do incêndio e disse à imprensa que não acredita em incêndio criminoso. A prefeita afirmou ainda que é preciso aguardar a apuração policial para identificar a causa.
















