CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO
O governador Pedro Taques (PSDB) oficializou o afastamento dos coronéis da Polícia Militar, Evandro Lesco e Ronelson Jorge de Barros, secretário e adjunto da Casa Militar, respectivamente. Os oficiais foram presos na última sexta-feira (23) por envolvimento no esquema de escutas telefônicas clandestinas, monitoradas pela PM, em Mato Grosso.
Os atos de afastamento das funções dos coronéis no Palácio Paiaguás foram publicados no Diário Oficial que circula nesta segunda-feira (26).
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Durante o período de afastamento, eles não receberão os salários de secretários. Porém, as remunerações como oficiais serão mantidas.
Na mesma publicação, Taques determinou que o também coronel da PM, Wesley de Castro Sodré, responda pela Casa Militar, interinamente. Sodré estava no Comando Regional do município de Tangará da Serra (240 km de Cuiabá).
Em nota, Taques afirmou “que respeita a decisão judicial, mas ressalva que os coronéis PM Evandro Lesco e Ronelson Barros gozam da total confiança do Governo, e esclarece que, apesar da decretação das prisões, as investigações estão em fase inicial e não há, até onde seja do conhecimento do Governo, nenhum ato que desabone suas condutas”.
RpMT/Reprodução
Ato de afastamento do coronel Evandro Lesco da Casa Militar
Prisões
Lesco e Ronelson Barros foram presos por determinação do desembargador do Tribunal de Justiça, Orlando Perri, que é o relator da investigação do esquema chamado “barriga de aluguel”, operado pela PM.
Enquanto estava na secretaria-adjunta da Casa Militar, Lesco comprou em seu nome, dois aparelhos que podem ser utilizados em interceptações telefônicas, em maio de 2015. Segundo a nota fiscal, que o #reporetermt teve acesso, os equipamentos foram enviados para o endereço do Comando-Geral da Polícia Militar, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça.
Ao total, a compra dos aparelhos custou R$ 24 mil. Conforme o documento, foi adquirido um “servidor de aplicação tipo rack 2U INM X 3650”, ao valor de R$ 8,5 mil, aparelho que serve para a realização de escutas telefônicas. O outro equipamento, um “módulo GSM 16 canais tipo rack”, serve para fazer gravações e custou R$ 15,7 mil.
Na mesma decisão de prisão de Lesco e Ronelson, Perri determinou a prisão do tenente-coronel Januário Antônio Edwiges Batista e do sargento Euclides Luiz Torezan. Os quatro oficiais atuaram juntos no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Também estão presos o ex-comandante-geral da PM, Zaqueu Barbosa, e o cabo Gerson Luiz Ferreira, por determinação do juiz da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, Marcos Faleiros.
Zaqueu foi apontado pelo magistrado de ser o mandante das escutas ilegais. Já o cabo Gerson foi o autor dos pedidos à Justiça, para incluir os nomes de políticos, jornalistas, médicos e advogados em uma investigação de envolvimento de PMs em tráfico de drogas, mesmo sem qualquer indício de participação deles nos crimes.
Ainda foram presos o corregedor-geral da PM, coronel Alexandre Corrêa Mendes, e o diretor de Inteligência da corporação, tenente-coronel Victor Paulo Fortes Pereira, que foram denunciados pelo governador Pedro Taques (PSBD) por terem "vazado" a informação sobre mandados de busca e apreensão e possíveis prisões contra o coronel Lesco e o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Airton Siqueira Júnior. Siqueira não consta entre os presos.
Escutas ilegais
O esquema foi denunciado pelo promotor de Justiça, Mauro Zaque, em outubro de 2015, quando era secretário de Segurança Pública do Estado. Segundo ele, as interceptações tiveram início em outubro de 2014 e foram mantidas até agosto de 2015.
Conforme a denúncia, Zaque sinalizava para a possível existência de um “escritório clandestino de espionagem”, monitorado pela Polícia Militar, com o “objetivo de obter informações estratégicas ao arrepio da lei”.
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