MARCIO CAMILO
DA REDAÇÃO
A Segvel - empresa que presta serviços de vigilância eletrônica e patrimonial – tenta receber uma dívida do Grupo Engeglobal, no valor de R$ 1,7 milhão. O grupo assumiu importantes obras para a Copa do Mundo de 2014, mas atualmente entrou com um pedido de recuperação judicial, porque deve mais de 700 prestadores de serviço, num montante de R$ 48,7 milhões.
Para receber a sua parte, a alternativa da Segvel foi entrar com o pedido de falência contra a Engeglobal. O processo tramita na 1ª Vara Cível do Fórum de Cuiabá e o proprietário do grupo – Robério Garcia – já foi intimado pelo oficial de Justiça para apresentar sua defesa.
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No entendimento do advogado André Castrillo, que faz a defesa da Segvel, o pedido de falência parece ser o melhor caminho para que a Engeglobal quite a sua dívida com a empresa.
Ele acredita que a empresa não dispõe de saúde financeira para honrar seus compromissos e que, nessa lógica, o melhor caminho seria a Justiça colocar um “síndico” para administrar o grupo e assim fazer o inventário de todo patrimônio da empresa.
André detalha que no processo de pedido de falência, o síndico iria listar todo o patrimônio para o juiz determinar a avaliação dos bens. Depois disso, os imóveis seriam colocados à venda para pagar todos os credores.
O advogado também criticou o pedido de recuperação judicial do grupo. No entendimento dele, o pedido é raso, pois não dispõe de planilhas e planos no sentido de honrar com os débitos.
Ele acrescenta que os donos sequer relacionaram as empresas pertencentes ao grupo.
“A empresa que está em recuperação judicial tem que apresentar um plano demonstrando o passivo que ela tem disponível para pagar todos os credores. Qual é o patrimônio que ele [Robério Garcia] colocou em garantia? No pedido de recuperação, ele teria que ter colocado as outras empresas que fazem parte do grupo econômico”, argumenta o advogado.
As empresas pertencentes ao grupo são: Global Energia Elétrica S/A; a Advanced Investimentos e Participações S/A; os Hotéis Global S/A; a Global Empreendimentos Turísticos e a Construtora e Empreendimentos Guaicurus Ltda.:
A Segvel é uma empresa sediada em Cuiabá que atua há seis anos no ramo de segurança patrimonial e segurança eletrônica.
Endividada
Atualmente o Grupo Engeglobal está devendo R$ 48,7 milhões para 749 fornecedores, em serviços como: material de construção, materiais elétricos, empresas de refeição, além de empréstimos bancários para o financiamento de obras.
Além da dívida com a Segvel, o grupo também deve R$ 2,3 milhões para a Bimetal - empresa do ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes (DEM). Outro credor é o empresário Valdir Piran, dono da Piran Factoring, que tem a receber R$ 567 mil.
Bancos também estão entre os principais credores, entre eles o Banco Safra (R$ 417 mil) e o Banco Volkswagen (R$ 297 mil). Nesse segmento, o débito que se destaca é com o Banco do Brasil, no valor de R$ 4,1 milhões.
Pedido de recuperação
A Engeblobal entrou com um pedido de recuperação judicial que ainda é avaliado pela Justiça. A empresa alega que não tem condições de pagar os credores e que precisa de tempo para adquirir novos recursos e assim renegociar os passivos.
O grupo se endividou a partir de 2014 depois de assumir importantes obras para a Copa do Mundo, como a construção dos dois Centros Oficiais de Treinamento (COTs), além da ampliação e reforma do Aeroporto Marechal Rondon. Nenhum dos empreendimentos foi concluído.
No pedido de recuperação judicial, a empresa justifica que se endividou por causa dos aditivos impostos pelo Governo do Estado, para a construção das obras, o que obrigou o grupo a contrair novos empréstimos que se tornaram praticamente impagáveis ao longo do tempo.
Outro lado
A reportagem tentou falar por telefone com o advogado Sebastião Monteiro, que representa a Engeblobal. O
foi atendido pela secretária de Monteiro que informou que ele estava em reunião.
A funcionária disse que posteriormente o advogado entraria em contato com a reportagem. No entanto, até o fechamento desta matéria, Monteiro não retornou às ligações para comentar o assunto.
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