RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO
Um processo que tramita em segredo de Justiça há 11 anos, no Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) possa ter desviado cerca de R$ 100 milhões por meio de pregões realizados pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, com intermediação da empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), no ano de 2004.
À época, o parlamentar mato-grossense comandava o instituto.
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A denúncia contra Bezerra e outras cinco pessoas chegou à 12ª Vara Federal da do Distrito Federal em 2006 por meio de um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGE). Mas como ele exercia o mandato de deputado federal, os autos foram encaminhados ao STF.
No documento, a PGE afirma que Bezerra cometeu “prática de delitos de peculato e frustração do caráter competitivo dos pregões nº 039/04 e 041/04 do INSS”. (Veja o documento AQUI).
José Jairo Ferreira Cabral, José Roberto Borges da Rocha Leão, Sérgio Paulo Veiga Torres, Júnio César Ferreira e José Carlos Ferreira também figuram como réus no processo.
Em 2009, o ministro Celso de Mello acatou a denúncia da PGE contra o deputado, porém a ação continua parada à espera de julgamento.
Além desta ação de peculato, Carlos Bezerra também responde no Supremo ao inquérito nº 3128 por crime eleitoral em 2011.
A ação apura se houve captação ilícita de votos ou corrupção eleitoral durante a campanha de 2010 em Mato Grosso.
Outro lado
O
tentou contato com o deputado, mas até o fim da edição desta reportagem ele não atendeu e nem retornou as ligações.
Sanguessugas
No mesmo ano que o STF aceitou a denúncia contra Bezerra, pelo suposto desvio de R$ 100 milhões do INSS, ele foi inocentado em uma ação que investigava o “Escândalo das Sanguessugas”, um esquema criminoso descoberto pela Polícia Federal, em 2006.
O peemedebista e outros 87 deputados federais, três senadores e cerca de dez ex-prefeitos do Estado, além de dezenas servidores municipais foram citados nas investigações.
Segundo a Polícia Federal, estes políticos apresentavam emendas parlamentares no orçamento da União para a compra de ambulância, no entanto, exigiam propina da empresa Planam dos empresários Darci Vedoin e Luiz Antonio Vedoin – que superfaturavam o valor das unidades de saúde móvel.
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