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09 de Outubro de 2026, 09h:56 - A | A

PAPO RETO / VOLTA POR CIMA

Operação, delação e briga em casa: como deputados de MT transformaram crise em voto

Divulgação

Fábio Monteiro conduziu a gestão de crise de Faissal Calil, Valmir Moretto e Juarez Costa, reeleitos com crescimento na votação.

Fábio Monteiro conduziu a gestão de crise de Faissal Calil, Valmir Moretto e Juarez Costa, reeleitos com crescimento na votação.

DO REPÓRTERMT



Três parlamentares de Mato Grosso que passaram boa parte de 2026 respondendo a denúncias e polêmicas saíram da eleição do último domingo (4) com mais votos do que receberam em 2022. Os deputados estaduais Faissal Calil (PL) e Valmir Moretto (Republicanos) e o deputado federal Juarez Costa (Republicanos) foram reeleitos.

Em junho, Faissal teve o nome citado na Operação Gemini, que apura suposta venda de decisões no Tribunal de Justiça, por ter trabalhado anos antes no gabinete do desembargador investigado. No mesmo mês, Juarez apareceu nas delações de ex-executivos da Aegea, que fazem acusações sobre o período em que ele foi prefeito de Sinop.

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Moretto enfrentou dois episódios. Em março, um áudio gravado durante um evento oficial em Pontes e Lacerda viralizou com a frase “uma é a minha”, interpretada como referência a uma licitação. O governo do Estado informou depois que a licitação sequer havia sido aberta. Em agosto, já em campanha, a esposa do deputado publicou nas redes uma conversa em que dizia ter retirado o voto do marido. Dias depois, os dois voltaram a aparecer juntos em um evento político, e o caso foi encerrado.

Longe dos holofotes, os três parlamentares recorreram ao mesmo tipo de serviço, ainda pouco comum na política: a gestão de crise, conduzida nos bastidores pelo jornalista Fábio Monteiro, especialista em crise de imagem e proteção de reputação. O trabalho começou logo depois que cada caso veio à tona, meses antes do início oficial da campanha, já com a avaliação de que os episódios poderiam ser explorados por adversários durante a disputa. A ideia era chegar a agosto com as respostas prontas, sem precisar construí-las no meio da corrida eleitoral.

O trabalho não aparecia nos palanques nem nas propagandas, mas estava por trás de cada resposta pública. A base foi a mesma para os três: reação rápida, documentos para sustentar os argumentos, vídeos explicativos e presença nas redes, sempre trazendo o debate de volta para o trabalho do mandato.

O ponto principal foi o alinhamento do discurso, feito antes de cada aparição pública. Os candidatos chegavam preparados para tratar do assunto sem fugir das perguntas e sem deixar que ele tomasse conta da campanha, fosse em entrevistas, debates ou encontros com apoiadores no interior. A mesma orientação era repassada à equipe e às lideranças que pediam votos nas ruas.

Os três não só contornaram a crise de imagem como também ampliaram a votação. Faissal passou de 30.240 para 41.039 votos, um crescimento de 36%, e ficou entre os três deputados estaduais mais votados em Cuiabá, com 17.141 votos. Moretto foi de 25.207 para 37.653, alta de 49%, e teve 5.557 votos em Pontes e Lacerda, a mesma cidade onde foi gravado o áudio de março. Juarez subiu de 77.528 para 83.728 votos, 8% a mais que em 2022.

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