LOUREMBERGUE ALVES
A disputa eleitoral deste ano, em Mato Grosso, deve ser decidida em primeiro turno.
Esta não é uma afirmação-fruto da adivinhação, nem resultado da vontade de torcedor e, tampouco, a revelação de uma conversa que alguém teve consigo mesmo.
Resulta-se, na verdade, da reflexão dos números coletados nas pesquisas até agora publicados.
Na sexta-feira (12/09), por exemplo, o Gazeta Dados divulgou a sua segunda pesquisa.
Nesta, cabe acrescentar, é notória a dianteira do pedetista em relação aos seus demais concorrentes, cuja soma de seus índices percentuais está a baixo 7% do primeiro colocado. E isto, em tese, descarta a existência do segundo turno.
É preciso, contudo, dizer que ninguém ganha uma eleição por antecipação. Sobretudo na atual fase da campanha, onde se tem maior investimento das candidaturas e sobressaem os ataques mútuos.
Ainda que o registro da candidatura Riva tenha sido indeferido pelo TRE/MT e repetido pelo TSE. O que pode levar a substituição do representante do PSD na briga pela poltrona do Palácio Paiaguás. Talvez, quando da publicação deste texto, escrito na tarde de sexta-feira, a dita substituição seja favas contadas.
Por outro lado, cabe dizer, não é fácil a transferência de votos. Mesmo que a pessoa substituta seja alguém bem próximo do substituído, e tenha se valido também do discurso de ‘vítima’ e de ‘perseguido político’.
Este discurso pode até pegar, e, volta e meia, pega, mas não a ponto de fazer com que os eleitores do segundo migrem em sua totalidade para o primeiro.
Geralmente, parte dos votos é redistribuída. Redistribuição que, vale frisar, favorece o líder das pesquisas, ainda que este não receba voto algum dos referido eleitorado.
Isso significa dizer que somente um fato novo pode mudar o cenário político-eleitoral já desenhado pelas pesquisas. E até mesmo o tal fato novo se encontra difícil de acontecer. Pois é grande o interesse do eleitorado por mudanças.
Outro dia, inclusive, uma pesquisa revelou que 74% dos eleitores gostariam de ter como governador alguém com um perfil completamente diferente do atual. Isto tem que ser igualmente levado em conta.
Afinal, o estudioso da política e do jogo político não pode, nem deve ficar preso aos números das intenções de voto, mas voltar sua atenção para todas as facetas da estampa fotográfica da eleição.
Uma das facetas é a dificuldade dos candidatos situacionistas em fazerem a defesa da atual administração, a qual carrega na bagagem - transferida àqueles - obras inacabadas e mal feitas, atrasos no repasse da saúde para os municípios e alheia a questão da segurança e da educação.
Isso tem refletido nos índices percentuais das pesquisas. Tanto que o Gazeta Dados publicou os seguintes números: Pedro Taques, 39%; Lúdio Cabral, 20%; José Riva, 10%; José Roberto, 1%; Muvuca, 0,0%. Índices reveladores.
Mesmo com o baixo índice percentual de rejeição do Lúdio Cabral (6%), empatado com o do Pedro Taques (6%), e muitíssimo bem abaixo do Riva, com 27% - antes deles o Muvuca (10%).
Estes números são frios. Carecem ser interpretados, e, quando os são, associados a uma série de fatores, eles demonstram que a eleição de 2014, a exemplo das anteriores, será decidida em primeiro turno.
LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista político em Cuiabá.
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