CORONEL FERNANDA
Na democracia, o confronto deve acontecer no campo das ideias. Quem escolhe a vida pública precisa conviver com críticas, cobranças, oposição e divergências. Isso faz parte do processo democrático. O que não faz parte, e jamais pode ser normalizado, é transformar intimidação em ferramenta política.
Recentemente, recebi no meu e-mail pessoal uma mensagem com ameaças graves contra mim e minha família. O conteúdo demonstrava conhecimento sobre aspectos da minha rotina institucional em Brasília, mencionava deslocamentos e trazia referências que ultrapassavam qualquer limite aceitável dentro de uma sociedade democrática. Diante da gravidade, registrei boletim de ocorrência, reforcei minha segurança e encaminhei o caso às autoridades competentes e à Procuradoria da Mulher da Câmara dos Deputados.
Veja bem: este artigo não é sobre medo. É sobre método. Pois, quem olha esse episódio como um fato isolado enxerga apenas uma ponta do iceberg.
Essa não foi a primeira tentativa de me intimidar. Há muito tempo, especialmente nas redes sociais, sou alvo de ataques que ultrapassam a crítica política e entram em outro terreno: o da tentativa de desgaste permanente, da agressão pessoal, da violência política e de gênero e do esforço para transformar exposição pública em instrumento de silenciamento.
Isso não acontece somente comigo, acontece com as mulheres que ousam ter posicionamento ideológico e representatividade política.
Quando uma mulher ocupa espaço político, muitas vezes tentam atingir sua legitimidade, apelando para a honra. Já quando um homem ocupa o espaço político, normalmente contestam suas decisões.
Este padrão precisa ser enfrentado.
Quando uma mulher está na política, questionam sua presença. Seu direito de falar. Seu comportamento. Sua firmeza. Sua autoridade.
E, quando isso não funciona, tentam impor o medo.
Violência política de gênero não começa apenas quando tentam impedir uma candidatura ou restringir formalmente um mandato. Ela começa quando criam um ambiente hostil para que mulheres pensem duas vezes antes de continuar.
Quando transformam redes sociais em espaços permanentes de intimidação. Quando o ataque deixa de ser contra uma ideia e passa a ser contra a existência política daquela mulher – ou até mesmo da sua existência física.
O recado implícito é sempre o mesmo: “fale menos”, “apareça menos”, “ocupe menos espaço”.
Só que existe algo que precisa ficar claro.
Nenhuma ameaça muda convicções.
Nenhum ataque substitui argumento.
Nenhuma intimidação terá mais força do que o compromisso que assumi quando entrei para a vida pública.
Quem mandou aquela mensagem perdeu tempo.
Eu não entrei na política para ter medo.
Entrei para servir, representar e fazer justiça.
E se existe uma resposta possível para quem acredita que consegue calar mulheres por meio da intimidação, ela é simples: seguiremos ocupando os espaços, falando com ainda mais firmeza e trabalhando com ainda mais convicção.
Porque a democracia não sobrevive onde o medo vence.
E nenhuma mulher deve ser obrigada a escolher entre exercer seu mandato e preservar sua segurança.
Coronel Fernanda é deputada federal pelo PL de Mato Grosso.
















