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Cuiabá, 17 de Junho de 2026
17 de Junho de 2026

26 de Junho de 2012, 08h:14 - A | A

OPINIÃO / JORGE MACIEL

Sucessão 2012: Onde estão as propostas?

JORGE MACIEL



Poucos dias nos separam das eleições de 7 de outubro, mas a sociedade, decididamente, já tem um ponto comum entre os que devem entrar na disputa : o contumaz afã  pelos prazeres que só o poder oferece. É pertinente pensar que ainda se está na fase de construção de candidaturas, e que outras discussões que realmente interessam ao contribuinte possam ser deixadas para a próxima fase, mas é inquietante observar que a principal razão das candidaturas e da própria eleição,  a cidade de Cuiabá [e seus respectivos e numerosos problemas], saiu da lembrança, nem é mencionada e está à mercê da indiferença.

Quem de nós não gostaria de ouvir do Guilherme Maluf, médico e pretenso candidato, suas propostas para a saúde? Quais seriam, de Carlos Brito, outro do contingente, as saídas para atenuar o sofrimento de populares que residem na mais longínqua periferia?  Que sugestão, consistente ou férrea, teria Mauro Mendes para a educação? Totó Parente, que acaba de rebentar, terá algum projeto para tonificar o turismo? E Lúdio Cabral, também posto, pelo menos mencionou o que poderá ou é necessário fazer para reparar outras mazelas urbanas?  

Com planos de governo certamente rebuscados do Google ou outras fontes de pesquisas, baseados nos capítulos estatutários dos partidos, quase todos iguais, as candidaturas tendem a se instalar apinhadas de oportunismo, mas ocas de projetos, soluções e propostas. Certamente que os candidatos não mais julgam necessário elencar deficiências urbanas e mostrar como superá-las, não mais lhes apraz, como se vê, estender os debates com a sociedade para levantar demandas e encontrar alternativas para supri-las.  Na era das mídias sociais, da expansão televisiva aos lares carentes, entram em campo marqueteiros  com o dom do retoque e da demão, que tratarão de produzir fatos, criticar adversários, enfeitar o rabo do porco, e falar tanto, mas tanto, tanto, que, quanto maior a capacidade de iludir, maior as chances de êxito. 

Enquanto falta foco sobre o futuro da cidade e seus cidadãos, sobram alinhavos de grupilhos, acertos e acordos que avançam os limes da ética, as raias da permissividade, todos os graus da tolerância, é um vai-e-vem  de barganhas que superam a capacidade da retidão. A ciência político-partidária e os conceitos do poder nos consentem até mesmo concordar que se deve casar os pleitos, presente e futuro, mas as eleições próximas terminaram se transformando  em tabuleiro que encena e simulam situações para 2018, 2020, 2022 etc, quando o presente exige uma eleição com menos imagem e projetos individuais e mais substância, preocupação e comprometimento coletivos. Continuando assim, nos restará, como saída, apenas apelar, alto, baixo ou num sussurro resignado: “valei-nos Deus”.

*Jorge Maciel é jornalista em Cuiabá.

A redação do RepórterMT não se responsabiliza pelos artigos e conceitos assinados, aos quais representam a opinião pessoal do autor.

 

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