Reprodução/Assessoria

Wilson Carlos Fuáh é escritor, radialista, cronista e observador atento da vida política e social de Mato Grosso, é graduado em Ciências Econômicas
WILSON CARLOS FUÁH
Encerrado o processo eleitoral de 2026, é hora de deixar as paixões políticas em segundo plano e abrir espaço para uma reflexão responsável sobre os fatos, os resultados e os comportamentos que marcaram a disputa. Enquanto alguns comemoram a vitória, outros enfrentam a frustração da derrota. São sentimentos naturais de uma competição democrática, mas que não devem se transformar em motivos para o rompimento de amizades, a intolerância ou o aprofundamento das divisões sociais.
A eleição é um momento importante da vida nacional, mas não pode ser o centro permanente das relações humanas. A disputa termina, os resultados são proclamados e a sociedade precisa seguir adiante. Independentemente das preferências partidárias, todos continuam compartilhando os mesmos espaços, enfrentando problemas semelhantes e dependendo, em grande medida, da capacidade coletiva de construir soluções para o país.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
A partir de agora, considero encerrada minha participação nos debates sobre as eleições de 2026. Minha decisão é dedicar mais tempo à reflexão sobre os acontecimentos e evitar discussões improdutivas, especialmente aquelas alimentadas pela disseminação de notícias falsas, as chamadas Fakes News. O silêncio, em determinadas circunstâncias, não representa omissão, mas uma escolha consciente de não contribuir para conflitos que pouco acrescentam à vida pública.
O fanatismo político constitui um dos grandes obstáculos ao exercício do pensamento crítico. Quando a paixão por um candidato ou partido supera a capacidade de analisar os fatos, o debate perde qualidade e dá lugar à agressividade, à intolerância e à rejeição de opiniões divergentes. Nesse ambiente, a mentira encontra espaço para circular, enquanto a verdade passa a ser julgada conforme os interesses de cada grupo.
Uma democracia saudável exige mais do que o direito de votar. Pressupõe responsabilidade na divulgação de informações, respeito às diferenças, disposição para ouvir argumentos contrários e compromisso com a realidade dos fatos. Discordar faz parte da liberdade de expressão; transformar a divergência em hostilidade é um retrocesso na convivência democrática.
É preciso compreender que nenhum resultado eleitoral concede a alguém o direito de humilhar os derrotados, assim como a derrota não justifica o desrespeito à vontade expressa nas urnas. A vitória exige responsabilidade, e a derrota deve ser enfrentada com maturidade. Em ambos os casos, o respeito às regras democráticas é indispensável para preservar a estabilidade das instituições e a convivência entre os cidadãos.
Parabéns aos que venceram. Aos que não alcançaram seus objetivos, fica a lembrança de que a democracia mantém aberto o caminho da participação política. Novas oportunidades surgirão, e as eleições de 2030 poderão representar outro momento de escolhas, avaliações e renovação de expectativas.
Até lá, o país não pode permanecer prisioneiro de uma campanha eleitoral permanente. Existem problemas sociais, econômicos e humanos que exigem atenção, trabalho e compromisso de todos, independentemente de suas convicções políticas.
A democracia não se fortalece com o ódio, nem se sustenta com a mentira. Sua força está na liberdade de escolha, na pluralidade de ideias e na capacidade de conviver com as diferenças.
Que o encerramento de uma eleição seja também o início de uma nova postura: menos fanatismo, menos agressividade, mais consciência e mais respeito. Afinal, o adversário político de hoje continua sendo parte da sociedade com a qual precisamos conviver amanhã.
Wilson Carlos Fuáh é escritor, radialista, cronista e observador atento da vida política e social de Mato Grosso, é graduado em Ciências Econômicas
Fale com o Autor: [email protected]























