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06 de Dezembro de 2014, 13h:42 - A | A

OPINIÃO / WALDIR BERTÚLIO

O dilema técnica x política

Os políticos têm que sair do lodo do "toma lá da cá", desfigurando suas representações concedidas pelo voto

WALDIR BERTÚLIO



Autores Clássicos desde Max Weber, (que expõem a chamada "Maldição Weberiana" sobre a inevitabilidade da burocracia, da tecnocracia, do discricionarismo), e outros como Marcuse, ( Ideologia da Sociedade Industrial) e Habermas ( Teoria da Ação Comunicativa) afirmam que a técnica é, sobretudo política. A conexão consequente e pertinente da Política X Técnica acumula força de fazer e acontecer para a política. Quer dizer, a técnica deve expressar-se politicamente, em mão dupla. Depende de a que servem, na medida em que suas praticas sejam mediadas pelo poder societário, em publicização permanente.

Assim, é necessária uma verdadeira aliança da técnica com a política. Se a política e os políticos, seus partidos e grupos querem construir e operar projetos viáveis, que deem conta da concepção coletiva, é preciso entender que no fazer e acontecer, pode ocorrer a legitimidade da política e dos políticos. É claro que isto é perigoso, quem tem medo da transparência como pressuposto do acontecer democrático, rejeita uma mudança cultural, porque não caberiam ações escusas que visem malversação do Estado, benefícios pessoais, de grupos privados e apoio a futuras reeleições. Para quem é perigoso? - para a maioria esmagadora dos partidos e políticos que se apropriam privadamente do espaço publico.

É nessa conjuntura que vejo o desafio enfrentado pelo novo governador, de forma inovadora, corajosa, e sobretudo, necessária. Se é que deverá exercer uma mudança na velha e deplorável cultura política, exercendo uma verdadeira inversão possível na gestão e no trato da "coisa pública". A política depende da técnica para concretude da sua legitimação, que torna-se conjunta. Será muito difícil que políticos acostumados com a política como instrumento de enganação entenda isto? Na verdade, quando dificulta a legitimação desta possibilidade, condenando a si próprios como contrários a uma mudança drástica naquilo que o povo condena e quer mudar. Ao invés disso, colocam barreiras na possibilidade de ver e acontecer da melhor forma a função de seus mandatos, com avanço e crescimento de leis e propostas dos parlamentos. Mediando as demandas sociais e fiscalizando o executivo e outras instancias de decisão, em favor da população.

A legitimação tem que ocorrer não só no interior das instituições publicas e poderes do Estado, mas em todo tecido social. A democratização é o exercício compartilhado do poder, caminhando para aquilo que a sociedade aspira e quer concretização. É dizer, a população quer política, políticos e técnicos a seu serviço, e ai, sabe desde o conhecimento popular, que tudo tem que convergir para atender as necessidades que o Estado e seus poderes tem o dever de exercer. Deseja até mesmo,retirar os mandatos de políticos ( recall ), mandando para casa os que malversam seus mandatos.

Os políticos têm que sair do lodo do "toma lá da cá", desfigurando e vendendo suas representações concedidas pelo voto. É bem verdade que a legitimação política passa necessariamente pela ancoragem a novas práticas que rompam com o pratrimonialismo, clientelismo, corporativismo e autoritarismo. Ganchos do desvio e da corrupção no poder publico. Exercer transparência, identidade social, como objeto central da função publica. Tentar restaurar a miséria da política como o exercício do poder, capilarizado por todas camadas sociais, com apoio e reconhecimento da sociedade envolvente. Sobretudo, uma ética política. A favor de quem? Contra o quê?

WALDIR BERTÚLIO é professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

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