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19 de Dezembro de 2016, 07h:56 - A | A

OPINIÃO /

Mão dupla ou pacto social

Só um poderoso pacto social salvará as gestões públicas em 2017

ONOFRE RIBEIRO



Os governos federal, estaduais e municipais entrarão em 2017 com pesada carga de problemas e crises enormes. Crises econômica, administrativa, econômica e de gestão. Não será exagero afirmar que a gestão pública está ingovernável. Porém, tem que se tocar o barco.

Vamos falar de Mato Grosso, o nosso estado. Endividado com o Tesouro Nacional, pesa uma dívida histórica, mais o aumento sucessivo dos gastos públicos e a redução da receita. Problemas à vista em larga escala. Em geral pouco lúcido, o governo federal está empurrando os governos estaduais pra reformas necessárias e indispensáveis. Objetivo: adequar a despesa à receita disponível.

Isso implica em mexer profundamente na estrutura de gastos da gestão. Implica também em contrariar poderosíssimos interesses de fornecedores, dos funcionários públicos, dos sindicatos e dos poderes. Vê-se que é uma frente muito poderosa pra ser enfrentada pelo governador Pedro Taques. Inevitável, porém.

É seu papel e não pode fugir disso! Mas ele e sua gestão não conseguirão sozinhos enfrentar a onda contrária dos interesses atingidos. Se não fizer isso não governará mais. O sistema atual de gestão esgotou-se e está no fim. Mas mudá-lo implica em transformar a cultura gastadora dos serviços e das obras públicas contratadas pelo governo.

Os poderes gastadores e sem limites nas suas despesas. Empreiteiros e prestadores de serviços habituados à cultura do pode tudo. E os funcionários públicos. São cartéis frios que se somam e se unem como uma frente poderosa, quando seus interesses são ameaçados.

Em Mato Grosso, no Brasil, nos demais estados e nos municípios a transformação inevitável da gestão vai padecer oposição de artilharia pesada. Só resta um caminho aos governantes: o pacto com a sociedade pagadora de impostos. Mostrar-lhe que vai reduzir a despesa ao nível adequado, que vai se esforçar por melhores serviços públicos.

E, o mais difícil: convencer a sociedade a apoiá-lo através de um pacto de ajuda mútua. O governo promete e se compromete com melhores serviços e a sociedade dando-lhe o seu crédito, permite que as mudanças obrigatórias sejam feitas. A sociedade está madura pra isso. Não tem outro caminho. Os cartéis e as corporações por si só não abrirão mão dos seus “direitos”..

Só um poderoso pacto social salvará as gestões públicas em 2017. Do contrário serão engolidas pelo abismo da falência.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]com.br   www.onofreribeiro.com.br

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