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Cuiabá, 21 de Junho de 2024
21 de Junho de 2024

10 de Novembro de 2022, 06h:04 - A | A

OPINIÃO / EMILENE NUNES

Falta de apoio custa a vida de policiais penais



Após mais uma triste notícia de que outro policial penal tirou a própria vida na manhã da última sexta-feira (04.11) no município de Juína (distante 745 km de Cuiabá) reforçamos a cobrança de mais atenção e apoio à nossa categoria. Desta vez, Luciano José Ungaratti, aos 41 anos, chegou ao seu limite e deixou de luto a esposa, a filha, uma família de sangue e uma família de farda. A polícia penal está novamente em luto pela perda de um guerreiro.

Considerada uma das profissões mais perigosas do mundo, a segurança dentro das penitenciárias coloca em prova contínua a saúde física e a mental dos servidores, que passam a maior parte dos seus turnos na companhia de mentes criminosas e pessoas de alta periculosidade. Em Mato Grosso, de acordo com levantamento realizado pelo Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado de Mato Grosso (Sindspen-MT), a população carcerária é de aproximadamente 11,1 mil reeducandos.

Para controlar toda a população carcerária, a polícia penal e servidores da Segurança Pública são hoje cerca de três mil profissionais, que prestam serviço em mais de 40 unidades prisionais no estado. E ao contrário do que muitos pensam, o trabalho realizado dentro das unidades vai muito além de fechar celas e entregar refeições aos reeducandos. O policial penal é responsável por praticamente todos os procedimentos dentro da unidade e por atribuições do muro para fora, como segurança externa das unidades penais, escoltas intermunicipais e interestaduais, serviços de custódia nos fóruns, monitoramento, inteligência, recaptura, escolta hospitalar e muitas outras.

Ambiente de trabalho pesado, remuneração abaixo da pleiteada pela categoria, atribuições não regulamentadas, elevado nível de estresse e periculosidade, além de inúmeros outros fatores fazem a rotina de trabalho desgastante. Todos esses ingredientes afetam cada um de uma maneira diferente e se transformam em números preocupantes.

Em 2019 foi registrado um caso de suicídio na categoria. No ano seguinte subiu para dois casos, em 2021 foram três casos e até a primeira semana de novembro deste ano outras três fatalidades desse tipo aconteceram. Houve crescimento também no número de afastamentos, em sua maior parte com diagnósticos de CID - F, que são doenças decorrentes de transtornos mentais, como ansiedade e depressão, conforme apurado pelo Sindspen-MT.

Esses afastamentos são em virtude do grande desgaste causado pela profissão e que se não forem tratados podem resultar em fatalidades na vida do servidor e, consequentemente, de sua família. O cuidado com a saúde mental do policial penal é fundamental para o exercício de sua profissão e é uma responsabilidade intransferível do Estado, que precisa atuar mais de perto no acompanhamento destes servidores.

O desafio é grande e a pressão maior ainda. O Sindspen-MT, como sindicato que representa a categoria, conhece bem essa dura realidade e sabe da importância de um projeto ou programa que dê suporte e acompanhe a saúde mental dos servidores do sistema penitenciário.

Há muito tempo buscamos soluções para esse problema, e no primeiro trimestre deste ano, o sindicato conquistou espaço e começou a participar diretamente do Programa de Gestão do Clima Organizacional realizado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT). O programa visa a necessidade de implantação de políticas de valorização profissional, bem como a qualidade de vida e saúde mental dos servidores que atuam nas unidades prisionais do Estado. Infelizmente, logo após as primeiras visitas nas unidades, o programa deixou de ser realizado por conta do período eleitoral e até o momento não se sabe ao certo quando, e se, voltará a funcionar.

Precisamos oferecer condições para que nossos colegas busquem ajuda. Este é um problema sério, que precisa de atenção e esforços em conjunto para evitar que novas vidas sejam perdidas. Aos colegas de farda, reforço, você não está sozinho!

Emilene Nunes de Souza Ribeiro é diretora de Saúde do Sindspen-MT.

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