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22 de Novembro de 2016, 07h:55 - A | A

OPINIÃO /

Dois ex-governadores e um destino

Mato Grosso foi o primeiro a colocar um ex-gestor na cadeia

LICIO ANTONIO MALHEIROS



A história do descobrimento do Brasil, em 22 de abril de 1500, com a chegada de 13 caravelas portuguesas lideradas por Pedro Álvares Cabral, chegando ao litoral sul do atual estado da Bahia.
 
Era um local onde havia um monte, que foi batizado de Monte Pascoal, no dia 26 de abril, foi celebrada a primeira missa no Brasil.
 
Os portugueses colonizadores, comandados por Cabral, eram exímios navegadores,  tinham como objetivo principal, a descoberta de novas terras, com objetivo de exploração, no nosso caso o pau-brasil.Fomos explorados de forma vergonhosa, durante muito tempo, até que o produto de origem vegetal fosse exaurido, dando início a novos ciclos.
 
Vocês devem estar se perguntando qual a relação da chamada em questão, com o descobrimento e processo de exploração e espoliação pelo qual nosso país passara durante esse período tenebroso, em que tivemos nossas riquezas quase que exauridas, através de um processo de exploração exacerbado por parte dos nossos colonizadores  portugueses.
Foi o ranço deixado por eles; coincidência ou não, o nome do nosso descobridor, Pedro Álvares Cabral, nos faz lembrar e nos reportar,  aos dias atuais, momento em que, dois ex-governadores do Estado do Rio de Janeiro, foram presos, por corrupção, formação de quadrilha e por ai vai.
 
Vamos mostrar a tipificação de cada crime praticado por esses gestores públicos do Estado do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, que não merecia por certo, a ação criminosa desses senhores, que pousavam de verdadeiros paladinos da moralidade, porém tinham em comum,  vidas marcadas por crimes de corrupção, que mata, porque se deixa de investir em: saúde, educação, saneamento básico, transporte e por ai vai.
 
Na quarta-feira, foi preso Anthony Garotinho (PR), em meio à Operação Chequinho, que investiga a compra de votos durante a eleição do dia 2 de outubro em Campos, no Norte Fluminense.
 
Na quinta-feira, foi a vez de Sério Cabral (PMDB), alvo de dois mandatos de prisão preventiva, no âmbito da Lava-Jato, acusado de liderar um grupo que desviou R$  224 milhões em contratos de obras.
 
Cabral pousava de paladino da moralidade, quando na verdade, era  cabeça de uma organização criminosa que desviava dinheiro, de obras públicas. Segundo informações do Ministério Público Federal (MPF), que encontrou diversos emails do ex-governador do Rio e sua secretária, Luciana Rodrigues, indicando saques em espécie, e  compra de obras de arte, visando lavar o dinheiro espúrio, vindo das obras superfaturadas.
 
Em seus tentáculos, surge a figura de laranjas que emprestavam seus nomes, para o enriquecimento ilícito do ex-governador Cabral, um deles o assessor Paulo Fernando Magalhães Pinto, que tem seu nome em contratos como locatário do imóvel alugado à Objetiva Gestão e Comunicação Estratégica em endereço nobre, no Leblon e como sócio da MPG Participações, proprietária da lancha ‘Manhattan’, com um valor estimado de 5 milhões de reais.
 
Vai ter sorte assim lá no Principado de Mônaco, no sul da França; no aniversário da ex-primeira-dama, Adriana Ancelmo, o ex-governador Cabral, como bom samaritano que é, resolveu presentear sua digníssima  esposa, com um anel de ouro branco e brilhantes, valor do presentinho R$ 800 mil reais, doado pelo empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, muita coincidência esse presente dos deuses.
 
Agora, Cabral sai do Leblon que tem o preço do metro quadrado mais valorizado do Rio de Janeiro; vai para o complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio, com o metro quadrado menos desejado pelas pessoas, com uma agravante, agora de cabeça raspada como um preso qualquer.
 
Não nos orgulhamos de termos sido o primeiro Estado brasileiro, a colocar na prisão, um ex-governador de Estado, no nosso caso Silval Barbosa (PMDB) e seus asseclas, porém a coisa está mudando, temos certeza que novos Estados brasileiros, infelizmente, terão seus ex-governadores, ex-prefeitos e por ai vai, presos, não se assustem.
 
Pare o mundo, quero descer!
 Licio Antonio Malheiros é geógrafo

 

 

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