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20 de Dezembro de 2016, 07h:55 - A | A

OPINIÃO /

Doações de doadores

O sistema político é um grande corrompedor

RENATO DE PAIVA PEREIRA



Não dá pra colocar no mesmo balaio todos os políticos que recebem financiamento privado de campanha. Da mesma forma pode haver ou não interesses escusos das pessoas que ajudam a custear as eleições. Pelo menos quatro situações são possíveis de cada lado:

a) Há os que doam quantias pequenas ou médias, conforme a posse de cada um, simplesmente para ficar bem com o político ou porque admiram um candidato.

b) Tem também aqueles que ofertam com a intenção de eleger alguém comprometido com o seguimento a que pertence, digamos um candidato ligado ao ensino, ao agronegócio, à saúde.

c)  Alguns têm interesses mais específicos: querem cargo público, diretoria de uma escola etc

d)  Outros, principalmente os que fazem negócios com o estado, doam grandes quantias pensando em recuperar várias vezes o que investiu em obras ou serviços superfaturados.

O primeiro (a) simplesmente é um ser vaidoso que adora participar da mesa dos poderosos; o segundo (b) beneficia-se junto com o grupo a que pertence. Já o terceiro (c) começa a complicar um pouco, buscando o interesse pessoal.    

Agora, o quarto doador (d) é diferente, seu crime é muito grave, pois rouba do estado e de todos nós.

Da mesma forma os recebedores das doações (os políticos) têm nuances:

a) Uns recebem pequenas e médias quantias em dinheiro ou serviços (gráfica, gasolina, passagens etc) que são usados inteiramente na campanha.

b) Alguns aceitam doações maiores de seguimentos sociais com os quais geralmente já são comprometidos (escolas, clubes esportivos, associações de classe ) com a promessa de lutar por eles no exercício do mandato.

c) Outros, em troca de doações, prometem cargos.

d) Mas há um grupo que recebe milhões, principalmente de empreiteiras, com a intenção de devolver decuplicada, com dinheiro do estado, a bondade do doador, além de destinar parte da grana para o próprio bolso.

Da mesma forma que os doadores, até a letra (c) não parece haver crime dos políticos, mas simplesmente a manifestação  de deslizes próprios do ser humano. 

Entretanto o quarto (d) não merece nem o eufemismo de peculato, é ladrão mesmo.

O meio político é uma armadilha perigosa que vive testando os que entram nele. Poucos conseguem passar por lá sem se contaminarem.

Lembro-me do Lula na década de 1980, época em que me filiei ao PT, posição política comum  entre meus colegas bancários. Admirávamos aquele barbudo combativo que fazia piquetes na porta das fábricas no ABC, chamando de imbecil o arrogante Mario Amato, então presidente da poderosa  FIESP.

Olha no que deu! Tudo indica que passará, junto com os companheiros e doadores (d), uma boa temporada na capital do Paraná.

Parece mesmo que é impossível encontrar virgens do bordel. O sistema político é um grande corrompedor, pouquíssimos saem de lá como entraram. Provavelmente nem passava pela cabeça do Lula tornar-se um corrupto quando nas frias madrugadas de São Paulo, aproveitando a entrada dos operários no serviço, lançava a semente do Partido dos Trabalhadores, que prometia mudar a política no  Brasil.   

Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor

[email protected]  

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