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21 de Novembro de 2013, 14h:39 - A | A

OPINIÃO / O NEGRO NO BRASIL

De Zumbi a Joaquim Barbosa

Este Brasil de tantas cores padece de libertação da ignorância

JOÃO EDISON



No samba da bênção Vinicius de Moraes, o nosso poetinha, já dizia que “eu, por exemplo, o capitão do mato; Vinicius de Moraes; Poeta e diplomata; O branco mais preto do Brasil; Na linha direta de Xangô... Porque o samba nasceu lá na Bahia; E se hoje ele é branco na poesia; Se hoje ele é branco na poesia; Ele é negro demais no coração”. 

 O Brasil é negro porque recebeu cerca de 38% de todos os escravos africanos que foram trazidos para a América. Segundo uma estimativa, de 1501 a 1866, foram embarcados na África com destino ao Brasil 5.532.118 africanos, dos quais 4.864.374 chegaram vivos (667.696 pessoas morreram nos navios negreiros durante o trajeto África-Brasil). 

 O Brasil foi, de longe, o país que mais recebeu escravos no mundo. Em comparação, no mesmo período, com destino à América do Norte foram embarcados 472.381 africanos, dos quais 388.747 chegaram vivos. De acordo com a estimativa do IBGE 4.009.400, africanos chegaram ao Brasil. 

 De Zumbi (1655 — 1695), o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, no maior dos quilombos do período colonial, a Joaquim Barbosa, ministro do Supremo, esta terra brasilis nos presenteou com Antônio Frederico de Castro Alves (1847 — 1871) poeta brasileiro que apesar de não ser negro na pele tinha a cor e o sentimento na alma. Suas poesias mais conhecidas são marcadas pelo combate à escravidão. Manifestou toda sua sensibilidade escrevendo versos de protesto contra a situação a qual os negros eram e ainda são submetidos. Motivo pelo qual é conhecido como "Poeta dos Escravos". 

 Terra do grande poeta Joaquim Maria Machado de Assis (1839 — 1908) um escritor brasileiro negro por inteiro, considerado como o maior nome da literatura nacional. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários. Testemunhou a mudança política no país quando a República substituiu o Império e foi um grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época. 

 Hoje nos orgulhamos de Joaquim Benedito Barbosa Gomes, nascido em Paracatu, Minas Gerais em 07 de outubro de 1954. Um ex-advogado e atualmente professor, jurista e magistrado brasileiro. Atual presidente do Supremo Tribunal Federal sendo, portanto o atual chefe do Poder Judiciário brasileiro. Por isso voltamos a Castro Alves: “Oh! bendito o que semeia livros, livros, à mancheia e manda o povo pensar... Quem dera se o povo brasileiro tivesse uma boa escola, não seria boi de piranha nas bolsas da vida.

 Este Brasil de tantas cores e sem cor ao mesmo tempo ainda padece de libertação da ignorância. Sem uma saúde adequada, sem segurança e vítima de uma escola paupérrima. Continua o mesmo país dos grandes eventos tais como: jogos pan-americanos, jornada mundial da juventude, olimpíadas, mas também dos mensaleiros, dos sanguessugas, das construtoras dos banqueiros, do Eike Batista, da nossa vergonha de cada dia. Pão e circo? Não! Porque os que vem circo comem caviar e os que comem pão veem programas policiais na hora do almoço e Jornal Nacional ao entardecer para “emburrecer” com as novelas globais a noite e se entreter aos domingos com Faustão e coisas do gênero. 

 Hoje é dia da consciência negra em um país sem consciência da sua cor nem da sua história. Sem consciência de quase nada. Onde partidos políticos não são partidos De interesses inescrupulosos de poder. Onde político preso é chamado de “preso político”. Onde esperteza é sinônimo de orgulho. Precisamos ter mais que um dia de consciência, precisamos de uma vida consciente.

 Na terra do futebol, porque futebol é negro na ginga; na terra do samba, porque samba é negro na batida; na terra do carnaval, porque o carnaval é alegria e nossa alegria é negra; na terra da feijoada e da caipirinha, porque festa de verdade tem alma negra na confraternização. Negros fomos, negros somos e negros seremos em tudo que há de bom. 

 Bem como dizia Vinicius: É melhor ser alegre que ser triste; Alegria é a melhor coisa que existe; É assim como a luz no coração. Machado de Assis na Poesia, Milton Nascimento na música, Pelé no Futebol; Jamelão no samba, Zezé Mota no palco e os Joões e Josés anônimos perante tantos negros anônimos. É, dizemos obrigado por nos fazerem sentir, apesar dos pesares, orgulho desta terra.

* JOÃO EDISOM DE SOUZA é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso e colaborador de HiperNotícias.

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