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30 de Novembro de 2014, 08h:56 - A | A

OPINIÃO /

A reforma na corda bamba

Encontra-se na Câmara Cuiabana a tão falada reforma administrativa do prefeito Mauro Mendes

LOUREMBERGUE



Encontra-se na Câmara Cuiabana a tão falada reforma administrativa do prefeito Mauro Mendes. Ela é necessária. Imprescindível. Até por conta da necessidade que o gestor tem em diminuir os custos da máquina. A dita reforma, porém, chegou diferente do seu desenho original. Ainda mantendo o seu antigo tripé: fusão, redução e extinção. Manutenção que se prende não a vontade do governante, mas como uma exigência da realidade financeira do município, cuja consequência deixa em situação de sinuca de bico o chefe do Executivo local.

A iniciativa de se reduzir gastos vem em tão boa hora. Ninguém é contra isso, nem deveria sê-lo, uma vez que o cortar - no caso aqui utilizado - abre possibilidades, já dificultadas com a falta de dinheiro. E, neste aspecto, o prefeito falou em fusão de pastas, diminuir nove secretarias, demitir quinhentos comissionados e atrelar o Cuiabá-Previ a Secretaria de Gestão. A reação, então, foi imediata. Não em relação à redução, tampouco em razão de fusões. Mas, isto sim, por causa do fim do Cuiabá-Vest. Os jovens lotaram as galerias, engrossados pelas manifestações de um ou outro vereador, e sempre com a argumentação de que aplicação de recursos na educação é investimento, e, então, não sujeito a corte ou ao desaparecimento.

Acontecimento, porém, não levado em consideração pelo prefeito. Este, aliás, preferiu fazer outra modificação, afastando a ideia de fundir a Secretaria de Fazenda com as de Planejamento e Finanças, e até mesmo a da Secretaria de Transportes Urbanos (SMTU) com a pasta de Apoio à Segurança Pública.

O projeto, portanto, chegou à Câmara, registrando o recuo do prefeito. Recuar é também um tipo de estratégia. Acontece, porém, que tal estratégia foi adotada para atender exigências político-partidárias, com o objetivo único de levar os vereadores a apreciarem e a votarem rapidamente a reforma administrativa.

Nada existe na referida mudança-estratégica, contudo, de necessidade social, como tem a movimentação popular em favor da manutenção do Cuiabá-Vest. Movimentação ignorada. Ainda que o Cuiabá-Vest possa ser encapado pelo governo estadual. O elogio, desse modo, dever-se-ia para o governador eleito, enquanto a tentativa do prefeito em extingui-lo, reprovada.

Reprovação que deve ser repetida com a ideia de atrelar o Cuiabá-Previ a Secretaria de Gestão. Isso porque este órgão deveria ganhar a alforria, tornando-se mais e mais independente, tendo em vista a sua importância aos aposentados.

Neste aspecto, a reforma administrativa deixa muito a desejar. E, certamente, na Câmara, ela receberá emendas. Estas são legais, mas podem ser frutos de interesses particulares, a exemplo da preservação das vagas, na prefeitura, para os cabos eleitorais.

E isto, caso aconteça, e é bem provável que ocorra, perde-se a cidade, seus habitantes e a reforma administrativa - na condição de instrumento-possibilitador de cortes, fusão e redução do número de secretarias. E esperar para ver o que vai sobrar da tão falada reforma.

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