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Cuiabá, 30 de Agosto de 2025
30 de Agosto de 2025

13 de Outubro de 2021, 07h:28 - A | A

OPINIÃO / RENATO DE PAIVA PEREIRA

A espada de Dâmocles

As coisas ruins que fez ou faz, por abundantes, são mais fáceis de serem lembradas.



Não, o Presidente Bolsonaro não é responsável por todas as coisas ruins que aconteceram no Brasil nos últimos três anos.
Sim, ele fez algumas boas, entre elas o auxílio emergencial de 600 reais, dados aos mais atingidos pela pandemia. Também veio do governo a ajuda às empresas, permitindo o afastamento parcial ou total de funcionários, no período mais agudo da doença.


As coisas ruins que fez ou faz, por abundantes, são mais fáceis de serem lembradas. Cito-as, por ordem relevância e pelo potencial de causar-nos desconforto, irritação ou revolta.


O desconforto aparece na obsessão do presidente de armar a população. Mas, na verdade esta não é uma atitude que surpreende, pois desde a campanha de 2018, ele insistia que, se fosse eleito, iria facilitar a compra de armas pelo povo. Muitos votaram nele a despeito dessa ideia, outros, por causa dela.


A irritação chegou quando, eleito, começou uma campanha absurda de desprestígio das instituições brasileiras, entre elas INPE, IBGE, Universidades, Supremo Tribunal Federal etc. E foi potencializada (a irritação) quando encasquetou com a Urna Eletrônica e empenhou-se em desmoralizá-la.


Mas, estas atitudes – por absurdas que sejam - podem ser perdoadas. Principalmente porque, mesmo com a dedicação presidencial em derrotar as instituições elas continuam firmes e prestigiadas, o que mostra seu ingênuo quixotismo. Até a tendenciosa implicância com a segurança do voto eletrônico perdeu força.


Também desculpamos ao Presidente a volta da inflação, a escalada do dólar, o aumento do desemprego, o alto custo dos combustíveis. Ainda, perdoamos-lhe a preferência pelos “Alexandres Garcias” em desfavor dos “Dmitrys Muratovs e Marias Ressas” – jornalistas premiados com o Nobel da Paz.


Mas ele fez coisas inaceitáveis e estas sim, causam revoltas. A principal foi a inação ou ação contrária na contenção ou mitigação da pandemia de covid.


Não é possível quantificar quantos morreram com seu teimoso atraso na compra de vacinas; com o estímulo às aglomerações, com a propaganda criminosa do kit covid e com a negação da utilidade da máscara, mas, por certo, contam-se aos milhares.


Nos Estados Unidos morrem atualmente mais de 1.000 pessoas por dia a despeito da abundância de imunizantes. Dessas, 98% sucumbem porque recusaram a vacina. Aqui perdem a vida diariamente cerca de 500 pessoas, sendo que os não vacinados são 15 vezes mais do que os que tomaram as duas doses. Com este incontestável sucesso da vacina o Bolsonaro teima em criticá-la e recusa-se a dar a mão à palmatória, no caso, o braço à injeção.


Algumas medidas são aceitáveis, outras, imperdoáveis. Podemos relevar erros cometidos no governo, até mesmo a divisão que fez, ajudado pelo Lula, do país em dois grupos de inimigos. Entretanto as pessoas que perderam amigos e familiares que poderiam estar vivos não fosse a compulsão presidencial de negar a pandemia, por certo não o perdoarão.


Estes aguardam que a Espada de Dâmocles, que, na mitologia grega, suspensa por um único fio de cabelo de rabo de cavalo, ameaça o pescoço dos poderosos, finalmente cumpra sua missão.


O fim do mandato poderá ser o estímulo que romperá o cabelo, frágil suporte da fatal espada.


Renato de Paiva Pereira – empresário e escritor
[email protected]

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