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11 de Dezembro de 2013, 16h:02 - A | A

NACIONAL / ARENA CORINTHIANS

Cinco guindastes de obra do estádio são liberados

Outras três máquinas precisam passar por manutenção

G1



Cinco dos oito guindastes interditados na obra do estádio do Corinthians foram liberados nesta quarta-feira (11) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Eles poderão voltar a ser usados na obra ainda nesta quarta.

A interdição dos equipamentos aconteceu no fim do mês passado, após acidente envolvendo outro guindaste matar dois operários no canteiro em Itaquera, bairo da Zona Leste de São Paulo.

“Os demais três guindastes têm problemas, como painel queimado, e vão precisar passar por manutenção”, disse ao G1 o superintendente regional do MTE em São Paulo, Luis Antonio Medeiros. Segundo Medeiros, a Odebrecht deve providenciar os consertos nos próximos dias.

O MTE também informou que o equipamento envolvido no acidente deve ser totalmente desmontado e retirado até 15 de janeiro. Serão necessárias 36 carretas para leva-lo de lá. O novo guindaste deve ser montado até 15 de fevereiro –exatos dois meses antes da data prevista para a obra terminar.

Hora extra
O superintendente do MTE visitou na manhã de terça a obra. Ele afirmou que o condutor do guindaste que caiu no estádio trabalhou 18 dias sem folga antes do acidente.

“Devido à rapidez da obra, todo dia aqui tem duas horas extras. Estava conversando com a Odebrecht no sentido da gente dar uma limitada nisso. É legal fazer duas horas extras por dia, mas soube agora que o mecânico do guindaste estava há 18 dias sem nenhum descanso.

Então, nós vamos limitar onde houver perigo, onde o cidadão é quase um piloto, tem que estar desestressado, tem que estar tranquilo.”

Medeiros, que teve acesso às fichas de ponto dos operários, pode ter havido um acordo com o funcionário para compensar os dias trabalhados. “Eu não sei o que a empresa combinou com ele se esses 18 seriam compensados se era banco de horas. Nós achamos que há uma exaustão para a pessoa que opera um mecanismo tão delicado”, afirmou.
A Odebrechet disse que "esses trabalhos nunca são contínuos". "Durante o período relatado pelo Superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego de São Paulo, o operador do guindaste ficou, na maior parte do tempo, em área designada aguardando a liberação da peça para o içamento", afirma uma nota da empresa.

A Locar, empresa terceirizada responsável pelos operários, negou que operador estivesse trabalhando sem folgas. "No domingo que antecedeu ao acidente, foi seu último dia de folga", diz a empresa.

As causas do acidente ainda estão sendo analisadas. “Nós não sabemos a causa do acidente. Nós só achamos que tem que limitar o trabalho desses operários nesses lugares estratégicos. As causas do acidente têm que ser analisadas. Isso é uma das vertentes. O que nós queremos é que essas pessoas trabalhem com folga, com tranquilidade”, disse.

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INAUGURAÇÃO

O estádio do Corinthians foi o local escolhido pela Fifa para o jogo de abertura da Copa do Mundo no dia 12 de junho de 2014, que será entre a seleção brasileira e a Croácia, adversária definida no sorteio das chaves do Mundial no dia 6 de dezembro, na Costa do Sauípe (BA).

A Odebrecht e o Corinthians informaram em 5 de dezembro, em nota conjunta, que o prazo estabelecido como meta para a entrega da Arena Corinthians é 15 de abril de 2014, menos de dois meses antes da abertura da Copa do Mundo. A data foi decidida em conjunto com o Comitê Organizador Local (COL) e a Fifa.
Acidente

O operador cuidava de um guindaste que suporta carga de até 1,5 mil toneladas. Ele içava uma peça de 420 toneladas quando a estrutura e a máquina tombaram sobre parte do estádio, atingindo o motorista Fábio Luiz Pereira, de 41 anos, e o montador Ronaldo Oliveira dos Santos, de 43. Eles trabalhavam para empresas terceirizadas e morreram.
A “caixa-preta” do guindaste foi retirada em 2 de dezembro pelos fabricantes do veículo e entregue à perícia da Polícia Técnico-Científica para análise.

Peritos analisam o caso para descobrir, entre três hipóteses prováveis, se o que o ocorreu foi causado por falha humana (do operador do guindaste), mecânica (devido algum problema da máquina) ou do terreno (pela inconformidade do solo, que teria tombado o aparelho).

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