LUIS VINICIUS
DA REDAÇÃO
O empresário Valdir Agostinho Piran prestou depoimento durante toda a tarde desta sexta-feira (30), a delegada Alexandra Fachone, na sede das Promotorias de Justiça do Ministério Público Estadual, em Cuiabá. Há indícios de que ele estivesse fazendo um acordo de delação premiada, sobre o esquema da desapropriação de área superfaturada, ocorrida em 2014, a qual foi usada para pagar contas da campanha do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), com ele.
Piran, que foi preso em Brasília na última segunda-feira (26), alvo da Operação Sodoma 4, chegou à capital mato-grossense na quarta-feira (28), onde está preso no Centro de Ressocialização da Capital (Presídio Carumbé), e hoje foi ouvido sobre os desvios da desapropriação no bairro Jardim Liberdade, no valor de R$ 30 milhões. De acordo com a decisão da juíza Selma Rosane Arruda, titular da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, que pediu a prisão, ele teria recebido ao menos R$ 10 milhões do montante que foi desviado.
Ao final do depoimento, Piran recebeu a ‘visita’ de familiares.
Segundo informações da Polícia Civil, Valdir Piran chegou à sede do Ministério Público por volta das 14 horas, acompanhado do seu advogado Zoroastro Teixeira. Durante 05 horas, ele prestou declarações em uma sala no Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira).
Sodoma 4
De acordo com as investigações, os quatro alvos dos bloqueios de contas receberam os valores por meio de suas empresas ou por meio de laranjas.
A investigação da Operação Sodoma 4, realizada pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), conseguiu o bloqueio de aproximadamente R$ 17 milhões.
No decreto que determinou o bloqueio de R$ 17 milhões das contas dos empresários, a juíza Selma Rosane, mostra que o total dos valores que foram repassados pelos ex-membros do governo aos empresários soma R$ 18,7 milhões, com as finalidades de quitar dívidas de campanha e lavar dinheiro oriundo da propina exigida do empresário Antônio Rodrigues Carvalho, da Santorini Empreendimentos Imobiliários Ltda, então proprietária do imóvel no Jardim Liberdade.
Já Alan Malouf, por meio das empresas Buffet Leila Malouf Ltda e Privilege Ville Incorporação Imobiliária SPE Ltda, recebeu R$ 1,5 milhão de Pedro Nadaf e mais R$ 950 mil referente à uma dívida de Silval Barbosa. Durante audiência realizada na tarde dessa quarta-feira (28), relativa à operação Seven, Pedro Nadaf explicou à juíza Selma Arruda que essa dívida havia sido deixada pelo ex-secretário Eder Moraes, que contratou o buffet para fazer a festa de posse de Silval como governador em 2011, e deixou a dívida pendente. No total, Alan Malouf e seu buffet receberam R$ 2,45 milhões.
O empresário Marcelo Benedito Malouf, no total, recebeu R$ 6,25 milhões, por meio de sete grupos empresariais dos quais faz parte.
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