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14 de Maio de 2015, 08h:41 - A | A

JUDICIÁRIO / R$ 1 MIL VIRA R$ 50 MIL

Procurador diz que TJ pediu cautela a juízes ao darem liminares à Saúde

Preocupação do judiciário e governo é quanto aos "abusos" nos preços cobrados por hospitais. Procedimentos acabam superfaturados quando atendimento vem com base em liminar

Assessoria

Ayala fez questão de esclarecer que quando o governo se opõe, é específicamente para não se submeter a excessos de valores.

Ayala fez questão de esclarecer que quando o governo se opõe, é específicamente para não se submeter a excessos de valores.

PAULO COELHO
Da Reportagem



O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) está orientado os juízes do Estado a “serem mais cautelosos” na hora de darem decisões na chamada judicialização da saúde pública.

A informação é do procurador-geral do Estado Patrick Ayala que, ao responder ao RepórterMT  sobre a enorme incidência de liminares buscando o direito ao atendimento à saúde, apontou que tem havido excessos e abusos de preços praticados por unidades hospitalares .

“Um exemplo que temos aqui é a cobrança de dois mil reais por um pacote de gaze, ou seja, um absurdo, enquanto se paga numa gaze em qualquer lugar, seis a nove reais”.

“Um exemplo que temos aqui é a cobrança de dois mil reais por um pacote de gaze, ou seja, um absurdo, enquanto se paga numa gaze em qualquer lugar, seis a nove reais”, argumentou o procurador, enfatizando que o Estado.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) é notificada , semanalmente, por dezenas de liminares obrigando o  governo a  garantir  medicamentos pouco comuns, ou muito caros,  e também cirurgias mais complexas, não disponíveis na estrutura pública do Estado.

O governador Pedro Taques, frisou que o objetivo é reduzir o índice de casos judicializados. “Só ocorre porque o Estado é falho, mas nós estamos colaborando com o Tribunal de Justiça e queremos reduzir cada vez mais essa demanda”.

O que ocorre, ainda conforme o procurador Ayala, é que os valores  de orçamentos médicos, de unidades hospitalares acionadas pela Justiça, estariam extrapolando todos os parâmetros comercializados no país.

“O Estado quando recorre, é nessas condições, ele aponta que esse preço não é o correto”.

“Nossa atuação tem se restringido a coibir esses excessos , o Estado não pode e não está negando acesso de ninguém à saúde, mas também não tem condições de assumir essa conta”, emendou Ayala.

Um exemplo da fragilidade da saúde pública no Estado, é o caso da pequena Yanni Rondon, um bebê de três meses, que precisa urgentemente se submeter a uma cirurgia cardíaca que, por ser específica e complexa, não é realizada  pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e nem pela rede particular do Estado. Por isso, a menina deve ser operada, por ordem judicial, num hospital de Curitiba, no Paraná. O valor da intervenção cirúrgica ficou  em torno de R$ 308 mil, e embora o dinheiro já estivesse na conta do hospital paranaense, foram necessários quase 20 dias para que a liberação para que acordo financeiro fosse concretizado. É que além do  valor, considerado alto, ainda havia o empecilho de restos a pagar, referentes a procedimentos anteriores prestados pelo hospital e não quitados por gestões de governos anteriores.

Ainda sobre a decisão do desembargador Paulo da Cunha, pedindo “cautela” aos juízes, no ato de dar as liminares, o procurador-geral  ainda disse que os hospitais não podem se negar a atender, mas questionou os valores.  “A questão é: a qual preço?”.

Ayala fez questão de esclarecer que quando o governo se opõe, é específicamente para não se submeter a excessos de valores cobrados.

“O Estado quando recorre, é nessas condições,  ele aponta que esse preço não é o correto”, completou.

O governador Pedro Taques disse ao RepórterMT que tem tentado, por meio de reuniões com o judiciário, conciliar a situação e lembrou que o Tribunal de Justiça tem feito auditorias de procedimentos que já fora feitos na área da Saúde.

“Vamos resolver isso através de um sistema de regulação que possa impedir a judicialização, pois estamos mudando o sistema".

“Vamos resolver isso através de um sistema de regulação que possa impedir a judicialização, pois estamos mudando o sistema de regulação do Estado”, afirmou Taques.

Conforme a SES , Mato Grosso pagou em 2014 R$ 96 milhões  (cerca de R$ 9 milhões por mês) provenientes da judicialização da saúde. A maior parte, via bloqueios determinados pela Justiça.

Ainda de acordo com a Secretaria, o governo Pedro Taques conseguiu reduzir esse valor para R$ 3 milhões  por mês, nesse início de mandato.

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