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29 de Janeiro de 2016, 18h:28 - A | A

JUDICIÁRIO / "O COBRADOR"

Delator conta que Nadaf 'fazia inferno' para receber propina

João Batista Rosa contou ainda que para atender sugestão de Nadaf, todos os cheques tinham que ser inferiores a quantia de R$ 5 mil, para não despertar suspeitas.

Reprodução

Nadaf recebia valor parcelado para não levantar suspeita.

Nadaf recebia valor parcelado para não levantar suspeita.

DA REDAÇÃO



O delator da “Operação Sodoma”, João Batista Rosa, disse em depoimento nesta sexta-feira (29) à juíza Selma Rosane Arruda, da 7° Vara Criminal de Cuiabá, que chegou a instalar câmeras escondidas em seu escritório para cessar a pressão que vinha sofrendo do ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf (Indústria e Comércio, Fazenda e Casa Civil), para que executasse os pagamentos de propina ao grupo político do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Segundo João Rosa, Nadaf acabou desconfiando das câmeras instaladas mesmo assim, as gravações foram entregues ao delegado de Polícia Civil, Márcio Veras. Rosa também destacou que á época, a Secretaria de Fazenda do Estado era comanda por Éder de Moraes, atualmente preso no Centro de Custódia da Capital (CCC) por descumprir medidas cautelares e condenado a 69 anos de prisão pela Justiça Federal em Mato Grosso. 

João Batista Rosa contou ainda que para atender a sugestão de Nadaf, todos os cheques tinham que ser inferiores à quantia de R$ 5 mil, para não despertar suspeitas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).

Em relação ao ex-secretário de Fazenda, Marcel Cursi, o ex-delator conta que mantinha uma relação de amizade com o ex-gestor, mas que nunca conversou de forma direta sobre as fraudes no Programa de Desenvolvimento Econômico da Indústria e Comércio (Prodeic). Todas as negociações eram feitas exclusivamente com Nadaf.

João Batista Rosa contou ainda que para atender a sugestão de Nadaf, todos os cheques tinham que ser inferiores à quantia de R$ 5 mil, para não despertar suspeitas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).

Os questionamentos foram feitos pelo advogado Roberto Tardelli, que faz a defesa de Cursi. Durante a fase de perguntas, o clima entre o advogado e o ex-delator ‘esquentou’. A juíza Selma Arruda precisou interferir e pedir “calma”, afirmando que não irá aceitar pressão em sua audiência.

Menos exaltado, Roberto Tardelli perguntou ainda sobre a participação de Karla Cecília no caso. Ela é ex-assessora de Pedro Nadaf na Fecomércio.  Como resposta João Rosa revelou que Karla era subordinada e que nunca ouviu falar em Silvio Cesar, ex-chefe de gabinete de Silval.

PRISÕES

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) foi preso em de setembro do ano passado devido às investigações da “Operação Sodoma”, assim como seus ex-secretários de Estado, Pedro Nadaf e Marcel de Cursi, que também fariam parte da organização do esquema fraudulento, que teria desviado R$ 2,8 milhões dos cofres públicos.

 

 

 

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