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25 de Novembro de 2016, 08h:45 - A | A

JUDICIÁRIO / DESVIOS NA ASSEMBLEIA

Advogado pode ser preso por não citar participação de deputado

Ao não delatar Romoaldo, Joaquim Mielli corre o risco de perder acordo de colaboração premiada e ainda ser preso por participação no suposto desvio R$ 9,4 milhões da AL

RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO



A pena do primeiro delator da Operação Ventríloquo, Joaquim Fábio Mielli, pode ser ainda maior que apenas a rescisão do acordo de colaboração premiada solicitada pelo Ministério Público Estadual (MPE), nesta semana, ao desembargador Rondon Bassil, – relator da operação no Tribunal de Justiça. 

“Joaquim Mielli, em nenhum momento, relatou qualquer envolvimento do denunciado Romoaldo Júnior ou do seu chefe de gabinete, Francisvaldo Mendes Pacheco. Na mesma toada se comportou quando da audiência que antecedeu a homologação do acordo”, aponta o Gaeco na denúncia.

 

 O pedido foi feito pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), por meio do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco). Segundo o órgão, o ex-advogado do extinto Banco HSBC ocultou fatos ao não citar a participação do deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB) no esquema que desviou quase R$ 10 milhões da Assembleia Legislativa, na gestão de José Riva (sem partido).

O relatório pede ainda a abertura de denúncia contra o peemedebista e os deputados Mauro Savi (PSB) e Gilmar Fabris (PSD).

Caso o pedido seja aceito, Mielli poderá ter o mandado de prisão preventiva decretado pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá, a pedido do próprio MPE, já que só estava em liberdade porque "contribuía" com as investigações. No entanto, os promotores descobriram que ele ocultou da Justiça o fato de Romoaldo usar três empresas para “lavar” R$ 808 mil do montante supostamente desviado do Legislativo, em 2014.

“Joaquim Mielli, em nenhum momento, relatou qualquer envolvimento do denunciado Romoaldo Júnior ou do seu chefe de gabinete, Francisvaldo Mendes Pacheco. Na mesma toada se comportou quando da audiência que antecedeu a homologação do acordo”, afirma o Gaeco, na denúncia.

O relatório mostra que só foi possível constatar a participação do deputado no suposto esquema criminoso após a delação do advogado Júlio César Domingues (já homologado pelo TJMT), que ganhou a liberdade no dia 15 de abril, após ficar oito meses presos preventivamente.

“Este último apresentou provas incontestáveis de que Joaquim ocultou, dolosamente, o envolvimento nos fatos pelo ora denunciado Romoaldo e seu assessor Francisvaldo, restando incólumes todas as demais informações”, diz trecho do pedido do MPE.

Os promotores afirmaram que, para tornar a propina lícita, o parlamentar do PMDB usou as empresas FH Comércio de Combustíveis Ltda., Rede Shop Comércio de Combustíveis Ltda. e Rodo Shop Transportes Ltda. para se beneficiar com parte dos R$ 9,4 milhões retirados dos cofres do Legislativo mato-grossense, por meio de pagamentos indevidos ao então advogado do HSBC, Júlio César Domingues. "Por tais fatos, os promotores de Justiça que integram o Gaeco e Naco ingressaram com pedido de rescisão da colaboração premiada outrora firmada com Joaquim Fabio Mielli Camargo", diz parte do relatório.

O responsável por receber a propina era o empresário José Antônio Lopes, que a repassava a Romoaldo em forma de doação de campanha, segundo o MPE.

(Clique AQUI e entenda o caso)

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