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Cuiabá, 20 de Junho de 2026
20 de Junho de 2026

11 de Abril de 2019, 10h:20 - A | A

GERAL / SEM MISERICÓRDIA

Santa Casa completa um mês de portas fechadas e sem solução

Os servidores estão em greve por sete meses de salários atrasados e têm mantido atendimento a apenas cinco crianças internadas em tratamento oncológico na unidade.

MARIA JULIA SOUZA
DA REDAÇÃO



O Hospital Filantrópico Santa Casa de Misericórdia completa, nesta quinta-feira (11), um mês de portas fechadas a atendimentos a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e também particular, já que sem receber há sete meses os funcionários decretaram greve e têm atendido apenas cinco crianças que permanecem internadas na unidade em tratamento oncológico.

Todos os demais pacientes foram transferidos para outros hospitais filantrópicos em Cuiabá.

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Entre reuniões com o Governo do Estado e a Prefeitura de Cuiabá, promessas de repasses, intervenção, investigações e acusações midiáticas, nenhuma providência foi tomada por parte dos Poderes Públicos. A população segue sem atendimento, e cobrando uma solução.

A administração do Hospital não passou o balanço solicitado, de todos os gastos e dívidas da instituição para que os governantes e órgãos responsáveis pudessem avaliar a situação e elaborar um plano de socorro financeiro. 

Cortes

No dia 20 de março, o filantrópico comunicou a suspensão de pagamentos relativos às gratificações, que totalizam R$ 100 mil. Na oportunidade, a direção também anunciou a demissão de pelos menos 145 funcionários, entre eles 25 pessoas com altos salários, que juntas acumulam rendimentos de R$ 150 mil mensais. 

Segundo a diretoria, os salários mais altos chegavam em R$ 19 mil. A unidade de saúde tinha 800 funcionários, com uma folha de pagamento mensal de R$ 1,5 milhão.

Funcionários

Ao , a liderança da classe, André Luís, disse que o último salário que receberam em 2018 foi escalonado. Os colaboradores que recebem até R$ 4 mil tiveram o seu último pagamento em novembro do ano passado, totalizando seis meses sem receber, fora o 13°.

Aqueles que recebem acima de R$ 4 mil estão há mais tempo sem receber, sendo o último salário quitado em outubro. São sete meses, mais o 13° em haver.

A classe passa por necessidade, famílias não conseguem pagar as contas e estão sem energia, água e alimentação. Um grupo de voluntários fez uma arrecadação de alimentos, na última semana, para ajudar os trabalhadores como medida paliativa.

Foram entregues 17 toneladas de alimentos a 800 famílias.

CPI

A Câmara de Cuiabá instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caixa da Santa Casa e os motivos que teriam levado ao fechamento. O texto é do vereador Toninho de Souza (PSD) e foi protocolado no dia 26 de março, durante sessão plenária.

A abertura da CPI foi realizada com o aval de todos os 25 vereadores da casa.

Repasses

O Governo do Estado de Mato Grosso repassou R$ 280 mil ao hospital filantrópico para ajudar com a falta de recursos.

O prefeito, Emanuel Pinheiro (MDB) garantiu que fará repasse de R$ 3,5 milhões para o pagamento de salários, em reunião com representantes da Santa Casa, no último domingo (7).  O valor deve somar com verba que vem da Assembleia Legislativa e deve quitar aproximadamente cinco folhas salariais.

Intervenção

O juiz da Vara Especializada de Ação Civil Pública, Bruno D’Oliveira deu prazo de 72 horas (três dias), para que a Prefeitura de Cuiabá se manifeste sobre a intervenção municipal na Santa Casa de Misericórdia. A intimação tem como base uma Ação Popular proposta pelo deputado Lúdio Cabral (PT), na última sexta-feira (05).

O prazo estipulado pelo juiz foi dado ainda na sexta-feira (05). A Prefeitura afirma que ainda não foi notificada. Na terça-feira (09) seria o primeiro dia útil, após a intimação, considerando o final de semana e o aniversário de 300 anos da Capital, na segunda-feira (08).

Os vereadores da Capital, no dia 12 de março, aprovaram a intervenção. A indicação foi por 17 votos a favor, cinco contra e uma abstenção. Porém, a indicação passa pelo crivo do prefeito que autoriza o ou não o pedido da Câmara.

O prefeito, Emanuel Pinheiro (MDB) já havia descartado uma intervenção apenas por parte do poder municipal.

“Não posso precipitar porque é muita responsabilidade”, afirmou o emedebista.

Emanuel argumentou que assumir a direção do filantrópico sozinho colocaria o caixa do Palácio Alencastro em risco.

 

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