CELLY SILVA
DA REDAÇÃO
Nesta segunda-feira (12), milhares de contribuintes de todo o estado foram surpreendidos por dívidas que eles acreditavam ter quitado no ano passado, quando o Governo do Estado concedeu, por meio do Decreto nº 10, descontos de até 90% para os contribuintes que estavam com débitos em aberto, referentes ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação, de quaisquer Bens ou Direitos (ITCD) e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Os comerciantes cobram medidas para negociar junto ao governo que a dívida não seja lançada na conta corrente jurídica da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) da forma como ocorreu, sem que houvesse negociação e sem abater o que eles já pagaram.
Os mais prejudicados são os empresários, principalmente os de pequeno porte, que começam a se organizar para cobrar das entidades de classe - Federação de Comércio, Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt) - medidas para negociar junto ao governo que a dívida não seja lançada na conta corrente jurídica da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) da forma como ocorreu, sem que houvesse negociação e sem abater o que eles já pagaram por meio do Programa de Recuperação de Créditos da Fazenda Pública Estadual (Refaz), no ano passado.
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"Agora, como que vem com uma dívida de mais de cinco anos atrás, lança toda essa dívida e atualiza todos esses anos?! Tem gente com dívida de R$ 70 mil!”, reclama o empresário Moisés Correia.
A lei nº 10.236/2014, que instituiu o Refaz, e também a lei 9.481/2010, que instituiu o Fundo Estadual de Desenvolvimento Social de Mato Grosso (Funeds) – por meio do qual o governo já havia negociado e recebido débitos há cerca de cinco anos, com a concessão de descontos de até 60% no imposto e de até 100% nos juros e multas – foram consideradas inconstitucionais pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) no final do mês de agosto, anulando todos os atos, desde a criação das mesmas.
De acordo com a Sefaz, cerca de 24 mil contribuintes foram atingidos com a cobrança referente ao ICMS, ITCD e IPVA, que está sendo lançada na Conta Corrente da Sefaz. A previsão é de reaver aproximadamente R$ 50 milhões até o final do ano.
Empresários desesperados
Para o empresário Moisés Correia, dono de uma loja de utilidades domésticas no Centro de Cuiabá, muitas empresas cadastradas no Simples Nacional, como a dele, correm o risco de fechar as portas devido ao montante de dívida que voltaram a adquirir com a inconstitucionalidade das leis. “Está tudo errado! É absurdo isso o que eles estão fazendo. Houve um decreto de negociação que todo mundo entrou e nós pagamos a dívida. Agora, como que vem com uma dívida de mais de cinco anos atrás, lança toda essa dívida e atualiza todos esses anos?! Tem gente com dívida de R$ 70 mil!”, reclama.
"Semana passada nós ficamos sabendo da possibilidade disso acontecer, mas hoje já amanhecemos com a dívida”, relata o empresário.
Segundo o lojista, o fato de a Sefaz já ter lançado a dívida na conta jurídica dos empresários, já pode acarretar uma série de problemas, como a suspensão ou cancelamento do cadastro no Simples, o que geraria a dobra do imposto e a impossibilidade de adquirir mercadorias com desconto junto aos fornecedores, negativação do CNPJ, apreensão de mercadoria e até o fechamento das lojas. “Todo mundo foi pego de calça curta, já com essa bomba. Semana passada nós ficamos sabendo da possibilidade disso acontecer, mas hoje já amanhecemos com a dívida”, relata o empresário ao
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Moisés Correia e dezenas de outros donos de lojas do Centro de Cuiabá estão organizando uma manifestação para cobrar um posicionamento das entidades junto ao governo. Além disso, eles não descartam a possibilidade de fechar as lojas por um dia, como forma de protesto. “Nós queremos ir lá para fazer pressão”, disse.
Na semana passada, a Fecomércio elaborou um modelo de impugnação administrativa dos lançamentos tributários, para que os contribuintes do comércio filiados aos sindicatos utilizem como defesa individual junto à Sefaz, mas este documento ainda não chegou ao conhecimento dos empresários, segundo Moisés.
"Vamos partir para ação judicial pedindo a anulação dos efeitos da retroatividade, pois a cobrança tem uma conotação política e econômica, mas não jurídica”, explica o advogado da Fecomércio.
De acordo com a assessoria de imprensa da Fecomércio, a entidade pretende enviar um requerimento para a Sefaz e também entrar com uma ação judicial contra a cobrança retroativa do ICMS, propostas que serão definidas em uma reunião da diretoria, na tarde desta segunda-feira (12).
De acordo com o advogado tributarista da Fecomércio, Homero Marchezan, a inconstitucionalidade da lei não obriga, de forma direta, o Estado a cobrar as dívidas do período em que a mesma estava em vigor. “Por isso, vamos partir para ação judicial pedindo a anulação dos efeitos da retroatividade, pois a cobrança tem uma conotação política e econômica, mas não jurídica”, explica.
Contadores também pressionam
Além dos contribuintes, outra categoria que também cobra uma postura das entidades empresariais é o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas de Mato Grosso (Sescon-MT) que, desde o dia 23 de agosto, vem alertando sobre os efeitos da inconstitucionalidade do Funeds.
Desde que houve a revogação da lei, a diretoria do Sescon se reuniu com o secretário-adjunto de Atendimento ao Cliente da Sefaz, José Horácio Ferreira, onde ficou estabelecido que o governo enviaria para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o projeto de lei que institui o Programa de Recuperação de Créditos (Refis) para que os contribuintes possam renegociar suas dívidas.
De acordo com a assessoria de imprensa da Sefaz, o projeto do Refis deve ser encaminhado nesta semana para o Legislativo. Além disso, haverá recomposição dos valores dos débitos dos contribuintes atingidos com a declaração de inconstitucionalidade das leis, o que depende de um trabalho minucioso, já que demanda retomar o valor inicial da dívida, abater o que foi recolhido e demonstrar o novo saldo devedor atualizado.
O
entrou em contato com a Fiemt e com a CDL para saber o posicionamento frente às reclamações dos empresários. Por meio de assessoria de imprensa, a Fiemt disse que o presidente da entidade está em viagem e que, por isso, não iria se posicionar no momento. A CDL não retornou à reportagem com a resposta ao questionamento.















Éder beckmann 15/09/2016
Ficam a chorando e cobrando que cobrem imposto do agronegócio...se taxar o agronegócio quem vai é você mesmo. Produtor produz o produto. Se cobrar 5℅ de taxa no consumidor final chega a quase 20℅ no final o valor.... Taxa sobre taxa...aí vocês vão ter o que merecem
Valdir sbabo 14/09/2016
Esse governo e um politiqueiros só pensam em ferrar os comerciantes esses caras não tem o q fazer senão cobrar cobrar esse governador e um pedagogo fala bonito da bica pra fora mas os que roubaram até hoje não devolveram nada vezes nada agora is comerciantes pagam o furo deixado não tem lógica querem acabar com o pequeno e médio comerciante por favor sejam mais humanos
Cesar 13/09/2016
Continuem votando em Pedro Taques. Vocês não viram nada ainda. Esse homem que está quebrando o Governo de Mato Grosso e acabando com o salário dos servidores só vai poupar os grandes grupos empresariais do Agronegócio porque com eles Taques não pode. O Agro possue lobye forte no Congresso e até na Justiça. O Resto, salve se quem puder.
OLIVEIRA CUIABANO 13/09/2016
Este TJ de MT e uma brincadeira, fazendo o povo de palhaço, porque onde já se viu depois de muitos anos os mesmos dizer que o lei e incostitucional, primeiro, quando houver qualquer lei, o proprio TJ tem a obrigação de avisar a AL que aquela lei não procede não e esperar muitos anos para se manifester, o que esse pessoal estava fazendo. Ninguem tem culpa da imcompetencia desses julgadores, primeiro eles quando falar que e inconstitucional não deve cobrar nada de juros e multa, porque o erro não e do contribuinte e sim de quem fez a lei, agora falar de inscontitucional e cobrar com data retroativa e palhaçada.
Não sou plantador 13/09/2016
Agronegócio não tem juro 0, juros de 7% a.a. Se chover muito, se chover pouco, se tiver praga nova só resta a dívida.
alexandre 12/09/2016
Enquanto isso taxa zero pro agronegócio... Hobin Hood as avessas..
Jota Oliveira 12/09/2016
Fechem tudo!!! Até qdo a iniciativa privada vai pagar pelos excessos do Estado???
7 comentários